Quem disse que a Terra vive só com a Lua? Desde o bafafá provocado pela descoberta do objeto PN7, muita gente voltou a perguntar se não haveria outros companheiros invisíveis circulando entre o planeta e o satélite natural. A discussão reapareceu com força porque a imagem tradicional de uma Terra acompanhada apenas por sua Lua começa a se mostrar mais movimentada do que se supunha.
A National Geographic retomou o tema ao questionar: “Quantas luas a Terra realmente tem?” Embora a Lua siga como único satélite natural permanente, o planeta convive com uma série de corpos que compartilham sua órbita ao redor do Sol ou são capturados por breves períodos pela gravidade terrestre — as chamadas quase-luas e miniluas.
Um céu com mais companhia do que parece
As quase-luas não orbitam diretamente o planeta, mas dividem sua trajetória solar, criando a impressão de que circulam a Terra. Já as miniluas são pequenos asteroides que ficam brevemente aprisionados pela gravidade terrestre antes de escapar. Até agora, astrônomos identificaram pelo menos sete quase-luas, número que deve aumentar. A mais recente, o PN7, registrada pelo telescópio Pan-STARRS, no Havaí, tem porte semelhante ao de um edifício e acompanha a Terra desde a década de 1960, devendo deixar essa configuração em 2083.
Entre essas companheiras, Kamoʻoalewa se destaca: descoberta em 2016, ela acompanha a Terra há quase um século e pode permanecer assim por outros 300 anos. Para Ben Sharkey, da Universidade de Maryland, objetos como esse desafiam a ideia de um sistema solar estático e ordenado.
As miniluas são ainda mais difíceis de observar. Segundo a National Geographic, apenas quatro foram confirmadas, incluindo uma do tamanho de um ônibus escolar que permaneceu capturada por alguns meses. Segundo Grigori Fedorets, da Universidade de Turku, muitas são tão pequenas quanto “rochas espaciais”, escapando facilmente dos sensores.
A origem desses corpos segue em debate. Eles podem ter vindo do cinturão principal de asteroides entre Marte e Júpiter ou ser fragmentos da própria Lua, hipótese reforçada pelas características de Kamoʻoalewa e de miniluas mais recentes. Sharkey observa que múltiplas origens são possíveis.
O avanço tecnológico promete revelar novos objetos. O Pan-STARRS já se mostrou capaz de detectar corpos minúsculos como o PN7, e o futuro Observatório Vera C. Rubin deve ampliar significativamente esse catálogo. Para Fedorets, o tema reacende o interesse pela mecânica celeste e mostra que o ambiente próximo da Terra permanece em constante mudança.
Mesmo com essas presenças efêmeras, a chance de o planeta ganhar uma segunda lua permanente é mínima. Isso exigiria a aproximação de um corpo de porte planetário — cenário considerado impossível no estágio atual do sistema solar. Assim, a Terra segue oficialmente monolunar, embora nunca realmente sozinha em sua jornada pelo espaço.






