Darren Beattie, ligado ao Departamento de Estado e aliado de Donald Trump, recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para visitar o ex-presidente em Brasília. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por participação em tentativa de golpe após as eleições de 2022
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a visita de um assessor ligado ao governo dos Estados Unidos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão em Brasília. O encontro está marcado para o dia 18 de março, no complexo penitenciário da capital federal.
A autorização permite que Darren Beattie, atual assessor sênior do Departamento de Estado dos EUA para temas relacionados ao Brasil, visite Bolsonaro. Segundo a decisão judicial, Beattie poderá estar acompanhado de um intérprete, cuja identidade deverá ser informada previamente às autoridades.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado que a visita ocorresse nos dias 16 ou 17 de março, período em que o assessor norte-americano estará em missão oficial no Brasil. No entanto, Moraes rejeitou a mudança e determinou que o encontro siga o calendário regular de visitas da unidade prisional.
Na decisão, o ministro afirmou que não há justificativa legal para alterar as regras da prisão. Segundo ele, os visitantes devem se adequar ao regime do sistema penitenciário, e não o contrário.
Durante a viagem ao Brasil, Darren Beattie também deverá se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e uma das principais lideranças da direita brasileira.
Beattie já fez críticas públicas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de liderar um suposto sistema de censura contra Bolsonaro e seus apoiadores. O assessor chegou a defender a aplicação de sanções contra o magistrado.
Bolsonaro está preso desde 25 de novembro de 2025, após ser condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão. A Corte considerou que ele participou da articulação de uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Entre os crimes apontados na sentença estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio público tombado.
De acordo com as investigações, Bolsonaro nunca reconheceu oficialmente a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2022. Após o resultado, ele passou a questionar o sistema eletrônico de votação e incentivou manifestações de caráter antidemocrático em frente a quartéis militares.
A crise política culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, em Brasília, em uma tentativa de impedir o funcionamento das instituições e reverter o resultado eleitoral.






