Mandelson teria recebido dinheiro e compartilhado informações confidenciais do governo britânico. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram proximidade entre o político e Jeffrey Epstein. Mandelson é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, que também é citado.
SÃO PAULO, SP (UOL/CBS NEWS) – O ex-embaixador britânico nos EUA Peter Mandelson renunciou ao seu cargo na Câmara dos Lordes do Reino Unido após o vazamento de documentos que mostrariam seu vínculo com Jeffrey Epstein, americano conhecido por crimes sexuais.
Mandelson teria recebido dinheiro e compartilhado informações confidenciais do governo britânico. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram proximidade entre o político e Jeffrey Epstein. Mandelson é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, que também é citado.
Epstein teria depositado US$ 75 mil em contas de Mandelson. Em setembro de 2009, Epstein teria enviado ainda 10 mil libras esterlinas ao então parceiro de Mandelson, agora seu marido, Reinaldo Avila, segundo o jornal britânico The Guardian.
A saída de Mandelson foi anunciada pelo presidente da Câmara dos Lordes. Com isso, ele deixa o cargo a partir de quarta-feira (4). No entanto, manterá o título já que a perda só ocorre por meio de uma lei do Parlamento.
Mandelson foi embaixador nos EUA há cerca de 1 ano. Após as revelações de proximidade com Epstein, ele também deixou o Partido Trabalhista.
“Penso muito em você e me sinto impotente e indignado com o que aconteceu”, teria escrito Mandelson a Epstein, segundo a imprensa. Nas mensagens, enviadas pouco antes de o magnata americano se declarar culpado para chegar a um acordo no caso de abuso sexual, Mandelson também o incentivava a “lutar por uma liberdade antecipada”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirma ter entregado um dossiê à polícia. Esses documentos reuniriam uma série de e-mails trocados entre Epstein e Mandelson, enquanto o político britânico era secretário de negócios do governo de Gordon Brow. Mandelson teria, inclusive, compartilhado documentos confidenciais.
“Para o público, ver políticos dizendo que não se lembram de ter recebido quantias significativas de dinheiro foi simplesmente estarrecedor, fazendo com que perdessem a fé em todos os políticos e enfraquecendo ainda mais a confiança”, disse Starmer.
O Ministério das Relações Exteriores britânico afirma que os documentos revelados esta semana “mostram que a profundidade e a extensão da relação de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein são sensivelmente diferentes do que se acreditava no momento de sua nomeação”.
ENTENDA O CASO EPSTEIN
O Departamento de Justiça dos EUA publicou mais de 3 milhões de páginas de arquivos do caso de Jeffrey Epstein na última sexta-feira. Os documentos incluem fotos e vídeos, alguns tirados pelo próprio bilionário condenado por crimes sexuais.
Há “grande quantidade” de pornografia comercial. O Departamento de Justiça dos EUA também esclareceu que nem todos os arquivos foram filmados por Epstein e seus comparsas, mas que há material relevante produzido por ele e pela rede ao seu redor.
Epstein foi preso pela primeira vez em 2008, quando foi sentenciado a 13 meses de prisão. Na época, os pais de uma menina de 14 anos denunciaram à polícia que o empresário havia abusado sexualmente da garota em sua mansão. Outras possíveis vítimas foram descobertas e foram encontradas fotos de meninas na casa dele.
Ele se livrou de pegar prisão perpétua. O bilionário fechou um polêmico acordo que o livrou de ficar encarcerado pelo resto da vida e fez com que ele fosse registrado na lista federal de criminosos sexuais. Enquanto preso, podia sair para trabalhar seis dias por semana.
Epstein voltou a ser preso em 2019 acusado de tráfico sexual. Ele foi denunciado por traficar dezenas de meninas, de explorá-las e abusá-las sexualmente. Desse caso, o bilionário se declarou inocente e sempre negou as acusações. Após um mês na cadeia, ele foi encontrado na cela e foi declarado morto aos 66 anos. A causa da morte divulgada oficialmente foi suicídio.






