As indústrias que produzem cimento, aço, alimentos e produtos químicos estão entre as maiores emissoras de gases de efeito estufa do planeta. Responsável por cerca de um quarto do consumo global de combustíveis fósseis, o calor industrial é um dos grandes desafios para a transição energética. Por isso, o tijolo térmico aparece como uma solução simples, eficiente e promissora.
Desenvolvida pela empresa norte-americana Rondo Energy, a bateria térmica baseada em tijolos reaproveita eletricidade de fontes renováveis para gerar e armazenar calor de alta temperatura. Essa inovação permite substituir caldeiras movidas a carvão ou gás natural por uma alternativa limpa, segura e escalável, segundo o site Atmos.
- Do lixo ao tanque: com 95% de eficiência, cientistas transformam plástico em gasolina em uma única etapa
Como funciona a bateria de tijolos
A chamada Rondo Heat Battery (RHB) funciona de forma engenhosa: eletricidade intermitente de origem solar ou eólica aquece blocos de tijolos refratários, que armazenam energia térmica a temperaturas que podem chegar a 1.500 °C. Esse calor é então liberado de forma controlada, permitindo o fornecimento contínuo para processos industriais, mesmo quando o sol não brilha ou o vento não sopra.
O sistema apresenta alta eficiência (cerca de 98%), requer manutenção mínima, possui vida útil superior a 40 anos e ciclos ilimitados. Atualmente, há dois modelos em operação: o RHB100, com capacidade de 100 MWh, e o RHB300, que alcança 300 MWh.
Potencial de impacto climático
Cada unidade instalada da bateria térmica da Rondo pode evitar a emissão de até 40 mil toneladas de CO₂ por ano. A substituição de caldeiras fósseis por essa tecnologia é especialmente relevante para setores difíceis de descarbonizar, como cimento e metalurgia.
A empresa já atraiu investimentos de gigantes como Microsoft, Aramco Ventures e H&M, além de parcerias com indústrias em Portugal, em colaboração com a EDP, para substituir o uso de gás natural por fontes térmicas renováveis.
Materiais simples, engenharia avançada
Diferentemente de baterias químicas ou soluções baseadas em hidrogênio verde, o sistema da Rondo utiliza materiais comuns como tijolos e arames de ferro, aliados a um sistema de controle automatizado que assegura segurança e desempenho térmico estável.
Essa combinação evita riscos de explosão, degradação com o tempo e limitações de fornecimento que afetam outras tecnologias. Além disso, os custos de implantação e operação são significativamente menores do que os de alternativas convencionais.
Com sede na Califórnia, a Rondo Energy já anunciou projetos totalizando mais de 200 MWh de capacidade e parcerias que somam 3 GWh. Em 2023, a empresa iniciou sua primeira operação comercial e ampliou sua capacidade de produção em acordo com o Siam Cement Group, na Ásia, com meta de produzir até 90 mil tijolos térmicos por ano.






