O Senado americano rejeitou nesta terça-feria (28) as tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump. A votação serve como uma rejeição simbólica às políticas comerciais de Trump. O presidente da Câmara, Mike Johnson (republicano da Louisiana), não realizará uma votação sobre a medida. E de nada adiantaria se o fizesse, porque Trump não aprovaria.
Caso o Congresso decidisse votar a medida, teria que esperar até o início de 2026. Isso ocorre porque os republicanos da Câmara aprovaram recentemente uma regra que não permitiria que a Câmara votasse a legislação que trata das tarifas de Trump até janeiro do próximo ano.
O senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, encabeçou a iniciativa, e o placar final foi de 52 a 48, segundo o Axios.
Os senadores republicanos Lisa Murkowski (Alasca), Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte) também votaram sim, juntamente com todos os democratas.
Esta é a terceira vez que os democratas forçam uma votação sobre resoluções que acabariam com as tarifas de Trump. Até agora, esta foi a que recebeu o maior número de votos republicanos.
O Senado votou pela revogação das tarifas de Trump sobre o Canadá em abril, com o apoio de Murkowski, Collins, Paul e McConnell. Mas outra tentativa de acabar com as tarifas gerais de 10% de Trump fracassou, com McConnell não votando.
TRUMP PEDE À SUPREMA CORTE UMA DECISÃO URGENTE SOBRE PODERES TARIFÁRIOS, POIS “OS RISCOS NÃO PODERIAM SER MAIORES”
Presidente Trump caminhando pelo gramado da Casa Branca
A Casa Branca criticou os democratas pela paralisação em curso que levará a Administração Nacional de Segurança Nuclear (NASA) a dispensar 80% de seus funcionários. (Getty Images)
Cinco senadores republicanos, os senadores Susan Collins, do Maine, Lisa Murkowski, do Alasca, Mitch McConnell e Rand Paul, do Kentucky, e Thom Tillis, da Carolina do Norte, juntaram-se a todos os senadores democratas para avançar com a resolução.
A deserção dos senadores republicanos ocorreu após o vice-presidente JD Vance alertar os parlamentares para não votarem contra o uso de tarifas por Trump durante o almoço a portas fechadas dos senadores republicanos na terça-feira.
Vance argumentou após o almoço que as tarifas dão a Trump poder para elaborar novos acordos comerciais que beneficiem o país e pediu aos republicanos que não se rebelassem contra o presidente.
“Votar contra isso é retirar essa incrível influência do presidente dos Estados Unidos. Acho que é um grande erro e sei que a maioria das pessoas lá concorda comigo”, disse ele.
Trump inicialmente usou poderes de emergência para decretar tarifas mais rígidas sobre o Brasil em julho e argumentou “que o escopo e a gravidade das recentes políticas, práticas e ações do Governo Brasileiro constituem uma ameaça incomum e extraordinária” aos EUA.
SCHUMER BLOQUEIA NOVAMENTE A PROPOSTA DO GOVERNO REPÚBLICO PARA REABRIR O GOVERNO, COM CONTROLADORES DE TRÁFEGO AÉREO NÃO RECEBENDO PAGAMENTOS
JD Vance na Casa Branca
O vice-presidente JD Vance alertou os parlamentares para não votarem contra o uso de tarifas por Trump durante o almoço a portas fechadas dos republicanos do Senado na terça-feira. (Alex Wong / Getty)
Não é a primeira vez que o Senado desaprova as tarifas de Trump. No início deste ano, os republicanos se juntaram aos democratas para reprovar a declaração de emergência de Trump para tarifas de 25% contra o Canadá, e tentaram, sem sucesso, rejeitar o uso de tarifas globais.
Kaine também tem planos de apresentar mais duas resoluções, uma para bloquear tarifas sobre produtos canadenses e outra sobre as tarifas globais de Trump, ainda esta semana.
“Não faz sentido impor tarifas ao Brasil, e isso só está sendo feito para apoiar o amigo do presidente”, disse Kaine a repórteres antes da votação.
DEMOCRATAS DE OLHO NO PRAZO FUNDAMENTAL DO OBAMACARE, ENQUANTO A PARALISAÇÃO DO GOVERNO ENTRA NA 4ª SEMANA
Senador democrata da Virgínia, Tim Kaine, durante audiência no Capitólio
O senador Tim Kaine, democrata pela Virgínia, discursa durante uma audiência de confirmação do Comitê de Relações Exteriores do Senado, em Washington, em 13 de março de 2025. (Al Drago/Bloomberg via Getty Images)
Kaine se referia ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que, na época da declaração de Trump, estava sendo processado por tentativa de golpe após uma derrota eleitoral em 2022. Ele foi condenado a 27 anos de prisão em setembro.
Paul argumentou que “emergências são como guerra, fome, tornado; não gostar das tarifas de alguém não é uma emergência”.
CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O APLICATIVO DA FOX NEWS
“Tarifas são um imposto de importação, são um imposto, não um imposto sobre a China”, disse Paul. “É um imposto sobre as pessoas que compram produtos da China, que são em sua maioria americanos. Os impostos deveriam ter origem na Câmara, então continuarei votando pelo fim da emergência.”
Quando questionado sobre o motivo pelo qual mais senadores republicanos não se juntaram a ele em sua posição sobre tarifas, Paul respondeu: “Medo”.
Alex Miller é redator da Fox News Digital e cobre o Senado dos EUA.






