Sam Altman, CEO da OpenAI, está entre os financiadores da startup Preventive, uma empresa que atua na vanguarda da edição genética de embriões humanos. A startup foi fundada no início de 2025 pelo cientista Lucas Harrington e está sediada em São Francisco, nos Estados Unidos. De acordo com reportagem do New York Post, a empresa já arrecadou US$ 30 milhões (R$ 160 milhões) em investimentos, que incluem também o apoio de Brian Armstrong, CEO da Coinbase.
A Preventive tem como missão “declarar guerra” às doenças hereditárias por meio da edição de embriões ainda antes do nascimento. A proposta é eliminar genes que causam doenças genéticas, o que levanta debates acalorados sobre ética, segurança e o futuro dos chamados “bebês projetados”.
Área enfrenta proibição legal nos Estados Unidos
Apesar das ambições científicas e tecnológicas da empresa, o projeto da Preventive esbarra em uma importante barreira legal: nos Estados Unidos, é proibido pela legislação federal que a Food and Drug Administration (FDA) analise ou aprove testes clínicos que envolvam embriões geneticamente modificados para iniciar uma gravidez.
Ou seja, mesmo que a Preventive avance em sua pesquisa, a criação de um bebê geneticamente editado não poderá ser legalmente conduzida ou testada no país. A prática também é proibida na maioria dos países, o que limita significativamente as possibilidades de aplicação prática da tecnologia, ao menos no curto prazo.
A Preventive afirma que o objetivo imediato é provar que a tecnologia pode ser segura e transparente antes de qualquer aplicação reprodutiva. O foco inicial está em estabelecer bases éticas e científicas sólidas para, futuramente, avaliar o uso da edição genética em embriões humanos.
Altman, segundo o New York Post, fez o investimento por meio de seu marido, Oliver Mulherin, que liderou a iniciativa com o intuito de ajudar famílias a evitar doenças genéticas. Já Armstrong declarou, em publicações nas redes sociais, que considera mais eficiente corrigir um defeito genético na fase embrionária do que tratar uma doença mais tarde.
Polêmica envolve promessas científicas e dilemas éticos
A proposta da Preventive se insere em um campo científico que evolui rapidamente, mas que ainda gera reações polarizadas. Para defensores da tecnologia, a edição genética pode representar um avanço sem precedentes na prevenção de doenças incuráveis. Para os críticos, o risco de uso indiscriminado ou desigual dessa tecnologia levanta preocupações éticas profundas — incluindo o potencial de criar desigualdades genéticas ou impulsionar uma nova era de eugenia.
O termo “bebês projetados”, associado a essa discussão, carrega forte carga simbólica e desperta receios quanto à manipulação de características físicas ou cognitivas, além de provocar debates sobre consentimento, acesso desigual à tecnologia e as implicações sociais desse tipo de intervenção.






