A guerra na Ucrânia está se tornando um laboratório para o desenvolvimento de novas tecnologias militares, e a Rússia tem investido cada vez mais em robôs terrestres de uso tático. Segundo informações do site Business Insider, o Exército russo vem testando desde drones terrestres em formato de caixa até hoverboards carregando explosivos, numa tentativa de explorar alternativas acessíveis para operações de combate.
Esses experimentos não são meras curiosidades tecnológicas. Eles fazem parte de uma estratégia mais ampla de Moscou para ampliar rapidamente a automação no campo de batalha, reduzindo riscos a soldados e acelerando operações de logística, ataque e reconhecimento.
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Robôs improvisados e lançadores automatizados
Entre os dispositivos testados, está o chamado Termit, um buggy com controle remoto que transporta um único soldado em uma cadeira exposta. Apesar da fragilidade, o equipamento pode carregar suprimentos e armamentos, funcionando como veículo leve de apoio em zonas de combate.
Outra invenção rústica observada nas frentes de batalha foi uma espécie de caixa motorizada, usada para levar provisões às tropas russas. A estrutura, simplificada ao máximo, foi registrada por drones ucranianos antes de ser destruída.
Em uma direção mais sofisticada, há o protótipo de um lançador de foguetes não tripulado com capacidade para disparar até 10 munições de uma vez. O modelo lembra o sistema soviético TOS-1A, mas com menor escala e operação remota, dispensando a tripulação de três pessoas exigida pelo original.
Hoverboards explosivos e o “Dronobus”
Além de veículos convencionais, o Exército russo também está experimentando soluções mais inusitadas. Uma delas é o uso de hoverboards, as pranchas elétricas com giroscópios, adaptadas como plataformas móveis para transportar explosivos, criar cortinas de fumaça ou realizar reconhecimento em terrenos arriscados.
O custo reduzido e a estabilidade dos hoverboards são vistos como vantagens, especialmente para ataques de saturação ou missões de risco controlado.
Outro projeto ambicioso é o “Dronobus”, uma espécie de base móvel equipada para operar drones com cabos de fibra óptica de até 15 km. Desenvolvido por engenheiros russos e apresentado pela agência estatal TASS, o sistema funciona como uma central de drones terrestres em missões contínuas, com maior resistência a interferências eletrônicas.
A corrida da automação no front
O interesse da Rússia por robótica militar não é novo. Desde 2023, já haviam sido divulgadas plataformas armadas com mísseis antitanque Kornet. O diferencial agora está na diversidade e na tentativa de produção em massa. Em abril de 2025, o ministro da Defesa russo, Andrey Belousov, declarou que centenas de sistemas robóticos terrestres haviam sido desenvolvidos e que o objetivo era escalar essa produção exponencialmente.
Enquanto isso, a Ucrânia também investe na automação militar. Seus chamados “soldados de ferro” incluem robôs de combate usados para atacar, resgatar feridos, coletar inteligência e lançar explosivos. A adoção crescente dessas tecnologias se dá, entre outros fatores, pela escassez de soldados: a Ucrânia afirma estar em desvantagem de três para um em relação ao contingente russo.






