A proteína se tornou um dos nutrientes mais celebrados da alimentação contemporânea. Nas redes sociais, multiplicam-se recomendações para aumentar o consumo, seja em suplementos como shakes, seja em alimentos industrializados que estampam a quantidade de gramas na embalagem.
Mas até que ponto esse entusiasmo se traduz em benefícios concretos? Um artigo publicado pelo The Conversation mostra que, acima de certos limites, o excesso pode trazer riscos à saúde.
Quando a quantidade deixa de ser benéfica
A proteína participa da formação de músculos, enzimas e hormônios, além de desempenhar papel importante na imunidade e fornecer energia. Diretrizes de alimentação saudável da Austrália recomendam que adultos obtenham entre 15% e 25% das calorias diárias a partir desse nutriente, o que corresponde a cerca de 76 gramas por dia para um homem de 90 quilos ou 53 gramas para uma mulher de 70 quilos.
Estudos indicam que a maioria dos adultos já atinge esse patamar. Em praticantes de musculação voltados ao ganho de massa, a ingestão pode chegar a 1,6 grama por quilo de peso corporal sem prejuízos, mas acima desse ponto não há ganhos adicionais de força ou tamanho. Pelo contrário, o excesso pode ser convertido em gordura corporal e sobrecarregar o organismo.
Pessoas com doenças renais devem ter atenção especial, já que grandes quantidades podem agravar sintomas. Há ainda a chamada intoxicação por proteína, descrita em relatos históricos de exploradores que adoeciam ao viver apenas de carnes magras, sem o equilíbrio com gorduras e carboidratos.
Fontes diferentes, impactos diferentes
Além da quantidade, importa a origem da proteína. Pesquisas mostram que dietas com alto teor de proteína animal, como carnes, ovos e laticínios, estão associadas a maior risco de morte prematura, especialmente por câncer, e ao aumento nos casos de diabetes tipo 2. Esses alimentos também concentram gordura saturada, já consumida em excesso pela maioria da população, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares.
Proteínas vegetais, por sua vez, estão ligadas a efeitos protetores. Presentes em feijões, lentilhas e cereais integrais, reduzem a probabilidade de câncer e diabetes tipo 2 e melhoram os níveis de colesterol. Além disso, fornecem fibras, fundamentais para a saúde intestinal e para a prevenção de doenças crônicas.
O que a ciência ainda investiga
O debate científico segue em aberto sobre os efeitos de diferentes padrões de consumo de proteína. Parte dos estudos associa altos níveis de proteína animal a riscos maiores de câncer e diabetes, enquanto dados sobre proteínas vegetais apontam benefícios consistentes para a saúde cardiovascular e metabólica.
Pesquisadores defendem a necessidade de investigações de longo prazo que ajudem a esclarecer a relação entre fontes de proteína, quantidades consumidas e impactos na expectativa de vida.






