A inteligência artificial está remodelando o mercado de trabalho, automatizando tarefas repetitivas e liberando os trabalhadores para atividades mais criativas e estratégicas. Ao mesmo tempo, muitas empresas estão substituindo cargos pela IA, culminando em demissões em massa. É o caso da Atlassian, empresa australiana de desenvolvimento de software.
No início de agosto, o cofundador e CEO bilionário da companhia, Mike Cannon-Brookes, anunciou que a empresa cortaria 150 empregos, já que a inteligência artificial assumiria esses cargos. O anúncio foi feito pelo executivo por uma mensagem pré-gravada em vídeo.
Segundo reporta o Sky News, a mensagem mostrava o magnata da tecnologia vestido casualmente com um moletom verde desbotado, falando do que parecia ser seu escritório em casa. No vídeo, Cannon-Brookes explicou que algumas funções estavam sendo extintas como parte da mudança da empresa para eficiências impulsionadas pela IA, de acordo com a reportagem.
O que tornou o momento ainda mais chocante para alguns funcionários foi a impessoalidade da mensagem. Eles tiveram que esperar mais 15 minutos após o vídeo para saber se estavam entre os demitidos, descobrindo apenas por e-mail o que aconteceu. Nas horas seguintes, os funcionários afetados ficaram sem acesso aos seus laptops.
Ainda segundo a publicação, a Atlassian afirmou que pagará os colaboradores afetados pelos próximos seis meses.
Mais com menos
Novas tecnologias como a inteligência artificial generativa estão permitindo que as empresas façam mais com menos. Da Amazon, em Seattle, ao Bank of America, na Carolina do Norte, passando por empresas grandes e pequenas em todo o país, cresce a crença de que ter funcionários demais é um obstáculo em si. A mensagem de muitos chefes: quem ainda está na folha de pagamento poderia estar trabalhando mais.
Em junho, em um comunicado enviado aos funcionários, o CEO da Amazon, Andy Jassy, escreveu que a ascensão da IA é algo “único na vida” e eliminará a necessidade de certos empregos nos próximos anos. E já havia dito antes que nem todo novo projeto precisa de 50 pessoas para ser executado. Em sua carta anual aos acionistas, afirmou: “os melhores líderes fazem mais com o menor número de recursos possível”.
A Procter & Gamble anunciou, no mesmo mês, que cortará 7 mil cargos — ou 15% da sua força de trabalho não ligada à produção — para criar “funções mais amplas e equipes menores”. Estée Lauder e a operadora de aplicativos de namoro Match Group também disseram recentemente que cortaram cerca de 20% dos seus gerentes.






