Novas pesquisas lideradas por Jai Das, da Universidade Aga Khan, no Paquistão, estão revelando dados alarmantes sobre os impactos do calor extremo na saúde materna. Em meio a ondas de calor que ultrapassam os 49 °C, gestantes relatam tontura, desidratação e preocupação com o bem-estar fetal. A condição, antes vista como desconforto passageiro, agora se mostra um risco concreto de vida, diz a The Economist.
O estudo, o maior já realizado sobre o tema, acompanha 6 mil mulheres desde o início da gestação, monitorando fatores como temperatura, umidade e sinais vitais do bebê. O objetivo é entender os efeitos biológicos do calor sobre o corpo da gestante e o desenvolvimento fetal.
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O impacto global da mudança climática
Estudos anteriores já haviam identificado correlações entre altas temperaturas e partos prematuros. Em 2024, uma meta-análise com dados de 66 países mostrou que cada aumento de 1 °C na temperatura média no mês anterior ao parto eleva em 4% a chance de nascimento prematuro. Durante ondas de calor, o risco sobe mais de 25%.
Além disso, o calor excessivo está associado ao aumento de casos de diabetes gestacional, hipertensão, baixo peso ao nascer e até malformações congênitas. Esses problemas sobrecarregam os sistemas de saúde e geram custos socioeconômicos expressivos. Só na China, os partos prematuros causados por ondas de calor custaram mais de US$ 1 bilhão por ano entre 2010 e 2020.
Desigualdade e vulnerabilidade ampliadas
Os impactos do calor não afetam todas as gestantes da mesma forma. Mulheres negras nos Estados Unidos, por exemplo, têm o dobro de risco de parto prematuro em condições de calor, segundo dados da Califórnia. Já em países como Gâmbia, onde muitas mulheres trabalham sob o sol na agricultura e têm acesso limitado a cuidados médicos, os riscos são ainda mais intensos.
A vulnerabilidade biológica durante a gravidez inclui maior produção de calor pelo metabolismo acelerado, aumento de volume sanguíneo e alterações imunológicas. Isso torna o corpo da gestante menos eficiente na autorregulação térmica, aumentando o risco de desidratação, infecções e complicações graves para o bebê.
Os desafios futuros e a resposta científica
Modelagens recentes indicam que, mantendo-se a trajetória atual de emissões, países como África do Sul e Quênia verão a mortalidade infantil subir 20% até 2060. Mesmo com metas climáticas rigorosas, os danos à saúde materno-infantil não serão totalmente evitados.
A resposta da comunidade científica tem sido intensificar estudos com foco na chamada “vulnerabilidade biológica ao calor”. O Wellcome Trust, uma das maiores organizações filantrópicas em saúde, destinou £17 milhões (R$ 124 milhões) para financiar projetos em nove países, incluindo o estudo no Paquistão, voltados à proteção de gestantes e recém-nascidos.






