A subsecretária de fiscalização da Receita Federal, Andrea Costa Chaves, disse nesta quinta-feira (28) que foi identificado na estrutura da megaoperação Carbono Oculto – que investiga ações criminosas no setor de combustíveis — um “esquema semelhante à ocultação de sócios de paraísos fiscais”. As informações são do jornal Valor Econômico.
Segundo Costa, havia no esquema uma fintech que “atuava praticamente como um banco paralelo do crime organizado” e, de acordo com as investigações, essa fintech seria a BK Bank.
- Fintech BK Bank é um dos alvos de megaoperação que mira esquema do PCC
- Como PCC usa a Faria Lima para lucrar bilhões, segundo investigações da Receita e a PF
- Análise: Operações mostram que fake news do Pix ajudou crime organizado
“A receita identificou que os fundos fechados com um único cotista, geralmente criando várias camadas, tinham bens adquiridos como um terminal portuário, quatro usinas produtoras de álcool e mais participação em duas”, disse a subsecretária da Receita.
Ainda de acordo com o Valor Econômico, havia também uma frota de 1.600 caminhões e mais de 100 imóveis. “Os indícios que a Receita identificou apontam que um dos fundos era usado como mercado e ocultação de blindagem patrimonial”, afirmou. Isso mostra, segundo a subsecretária, “que a administração dos fundos estava ciente e contribuindo com o esquema”.
Ela afirmou ainda que o crime envolveu, na parte da economia real, todo o processo de importação, produção, distribuição e comercialização, chegando até o consumidor final do mercado de combustível. Já na economia financeira foi identificado ocultação e blindagem de patrimônio.
Em nota ao Valor Econômico, o BK Bank disse que foi surpreendido com sua inclusão na investigação. “A instituição de pagamentos é devidamente autorizada, regulada e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil e conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance”, comentou.
O BK Bank reiterou ainda seu “compromisso com a legalidade” e colocou-se à inteira disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar plenamente com as investigações.
Segundo a Receita Federal, a operação envolveu mandados de busca e apreensão em cerca de 350 alvos – pessoas físicas e jurídicas – localizados em São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também ingressou com ações judiciais cíveis de bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos, incluindo imóveis e veículos, para a garantia do crédito tributário.






