Apesar do nome, as terras raras não são exatamente escassas. Elas correspondem a um grupo de 17 elementos químicos presentes na tabela periódica, como neodímio, lantânio, cério e disprósio. São componentes essenciais em diversos produtos modernos — de smartphones e carros elétricos a turbinas eólicas, satélites e equipamentos militares de alta precisão.
Seu valor estratégico decorre da dificuldade de extração e do alto custo de processamento. A concentração dos minérios em determinadas regiões e a complexidade do refino os tornam altamente cobiçados por potências econômicas.
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Por que os Estados Unidos estão interessados?
Atualmente, a China domina cerca de 70% da produção mundial de terras raras e quase 90% da capacidade global de refino. Essa dependência preocupa os Estados Unidos, sobretudo em um contexto de tensões comerciais e tecnológicas.
A nova gestão de Donald Trump voltou a adotar uma postura protecionista, anunciando tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Em contrapartida, o governo americano tem sinalizado interesse em firmar acordos bilaterais que envolvam o acesso a minerais críticos — incluindo terras raras, lítio e nióbio.
Segundo fontes diplomáticas, representantes da embaixada americana já se reuniram diversas vezes com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para discutir possíveis parcerias e cooperação tecnológica na área de mineração estratégica.
O papel do Brasil no novo tabuleiro geopolítico
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia. Os depósitos estão espalhados por estados como Amazonas, Goiás e Minas Gerais. Essa abundância coloca o país em posição privilegiada na nova corrida global por minerais estratégicos.
Além do potencial econômico, esses recursos se tornaram peça central nas negociações comerciais com os Estados Unidos. O setor mineral brasileiro, considerado “peça-chave” pelo governo, pode ser utilizado como moeda de troca nas conversas sobre as tarifas impostas por Washington.
No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado um discurso firme ao defender a soberania sobre as riquezas naturais brasileiras. Em declarações recentes, Lula afirmou que “ninguém põe a mão” nos minérios do país sem uma contrapartida justa e alinhada aos interesses nacionais.
O que está em jogo?
Além da disputa comercial entre China e EUA, as terras raras envolvem questões estratégicas mais amplas. Elas são indispensáveis para a transição energética global — estão nos ímãs permanentes que movem turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos e dispositivos eletrônicos de ponta. Também são fundamentais para a indústria de defesa, como caças, mísseis, submarinos e radares.
Com o avanço das tecnologias verdes e digitais, a demanda por esses elementos deve crescer exponencialmente nos próximos anos. Um estudo do UBS estima que o desenvolvimento de minerais críticos pode adicionar R$ 243 bilhões ao PIB brasileiro até 2050.






