Astrônomos detectaram 11 nuvens de hidrogênio surpreendentemente frias no interior das Bolhas de Fermi (estruturas gigantescas em forma de bolha compostas de gás e partículas energéticas) que se estendem por cerca de 50 mil anos-luz acima e abaixo do disco da Via Láctea.
A descoberta, feita com o Telescópio Green Bank (NSF GBT), é comparada por especialistas a “encontrar cubos de gelo dentro de um vulcão”.
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As Bolhas de Fermi foram reveladas em 2010 pelo telescópio espacial Fermi, da Nasa, e os especialistas acreditam que elas sido criadas a partir de uma violenta erupção vinda do buraco negro central da nossa galáxia.
A região atinge temperaturas da ordem de 1 milhão de kelvin (quase 1 milhão de graus Celsius), o que torna a presença de nuvens com temperatura ao redor de 10 mil kelvin um verdadeiro mistério.
“Não sabíamos que gás frio poderia sobreviver nesse tipo de ambiente extremo”, afirma Rongmon Bordoloi, astrofísico da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, e autor principal do estudo, ao Science Alert. “Isso desafia nosso entendimento de como as galáxias reciclam e expulsam matéria.”
As nuvens variam em massa e tamanho, algumas alcançam até 1.470 vezes a massa do Sol e medem de 13 a 91 anos-luz de extensão. Elas também estão entre as mais distantes já observadas a partir do centro da Via Láctea, localizadas a cerca de 13 mil anos-luz de altitude galáctica.
A análise sugere que essas nuvens têm milhões de anos de idade e foram carregadas até o alto das Bolhas de Fermi por ventos nucleares, fluxos intensos que partem do núcleo galáctico a centenas de quilômetros por segundo.
“Assim como não vemos o vento na Terra sem nuvens, não conseguimos enxergar esse vento galáctico diretamente. Mas podemos rastreá-lo pelas emissões das nuvens frias que ele transporta”, explica Jay Lockman, coautor do estudo e astrônomo do Observatório de Green Bank, na Virginia Ocidental, nos EUA.
Ainda não se sabe exatamente como essas nuvens surgiram. Elas podem ter sido fragmentadas por plasmas ou condensadas diretamente do ambiente turbulento, por instabilidade térmica. O que é certo, segundo os pesquisadores, é que sua existência coloca novas questões sobre a idade e a formação das Bolhas de Fermi, provavelmente mais recentes do que algumas teorias anteriores sugeriam.
Além de ajudar a reconstituir a história da nossa galáxia, o estudo pode impulsionar a compreensão da evolução galática em todo o universo, principalmente sobre como matéria e energia circulam pelas galáxias.






