Se você, como eu, está vivendo os 50, 60 ou 70, já deve ter pensado algo do tipo: “Eu não combino com essa idade escrita nos documentos. De onde saiu essa ideia de que vou completar 61 anos em alguns meses?! 40, 45, no máximo…” A boa notícia é que, o que até agora era apenas uma inquietação, foi comprovado pela ciência.
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Um estudo publicado em abril pela eLibrary do Fundo Monetário Internacional (FMI), utilizando dados de 1 milhão de pessoas com 50 anos ou mais de 41 economias desenvolvidas e emergentes, descobriu que, em média, uma pessoa que tinha 70 anos em 2022 apresentava a mesma habilidade cognitiva de alguém com 53 anos em 2000. Ao mesmo tempo, a fragilidade física de um septuagenário em 2020 correspondia à de uma pessoa de 56 anos em 2000.
O artigo “The Rise of the Silver Economy: Global Implications of Population Aging” (em português, “A ascensão da economia prateada: implicações globais do envelhecimento populacional”) fala das implicações das mudanças demográficas para economias em todo o mundo, e aborda o tema da ascensão da “economia prateada”, termo para o qual eu torço o nariz, não gosto, mas vá lá, em três áreas principais.
São elas a extensão do envelhecimento saudável e seu impacto nos mercados de trabalho, as implicações econômicas mais amplas das mudanças demográficas e o papel das políticas direcionadas na mitigação dos efeitos adversos do envelhecimento. Vou me deter aqui apenas no primeiro item, o de que estamos vivendo mais tempo com mais qualidade de vida.
O estudo mostra que, atualmente, somos idosos fisicamente mais fortes e cognitivamente mais capazes. A capacidade funcional é indispensável para manter a autonomia, a independência e a qualidade de vida. Já a capacidade cognitiva é aquela que nos permite realizar tarefas que envolvem raciocínio, aprendizado, resolução de problemas e processamento de informações. Ao avaliar essas competências, os cientistas concluíram que os 70 são os novos 50.
Ao longo de uma década, o ritmo de melhora nas habilidades cognitivas está associado a um aumento de aproximadamente 20 pontos percentuais na probabilidade de os indivíduos permanecerem engajados no mercado de trabalho, seja trabalhando ou buscando emprego ativamente. Ao mesmo tempo, verificou-se um aumento de cerca de seis horas na média semanal de horas trabalhadas e um crescimento de 30% nos rendimentos do trabalho de quem estava empregado.
Um envelhecimento mais saudável é bom para nós, claro, mas também para a economia. Para começar, estende nossa vida profissional, permitindo que continuemos produtivos por mais tempo, gerando renda para nós e para a sociedade.
Mas o texto do FMI ressalta que os países precisam apoiar esse movimento criando políticas que aumentem a participação dos profissionais mais velhos no mercado de trabalho. “Ao implementar estratégias relacionadas a essas políticas, os países podem aproveitar o potencial da economia prateada para estimular o crescimento e reconstruir os colchões fiscais diante dos ventos contrários demográficos”. A grande questão é: o que você está fazendo hoje para envelhecer bem amanhã?
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