Produtividade no trabalho é um tema recorrente de debates e pesquisas. Mas a noção de produtividade herdada da era industrial, baseada em horas cronometradas e produção linear, está defasada e tem sérias limitações, de acordo com Natalie Nixon, estrategista de criatividade, CEO da Figure 8 Thinking e autora do livro Move. Think. Rest.
“E se o segredo para o desempenho máximo não for fazer mais, mas fazer diferente? E se a nossa abordagem de produtividade da era industrial não estiver apenas ultrapassada, mas também sabotando ativamente o nosso melhor trabalho?”, questionou ela em artigo publicado na Fast Company.
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Como parte da pesquisa para o seu livro, ela entrevistou quase 60 pessoas e analisou a sua própria jornada. A partir disso, ela identificou três insights que podem transformar o trabalho. São eles:
1- O cérebro precisa que o corpo pense melhor
“A descoberta mais contraintuitiva da minha pesquisa? O movimento não é uma pausa no pensamento – é essencial para ele. Como seres humanos, fomos projetados para nos mover. Nossa medula espinhal é uma extensão do cérebro. Se ficarmos curvados sobre um laptop o dia todo, estamos literalmente restringindo o fluxo sanguíneo para o cérebro e, portanto, o oxigênio para o cérebro. Simplesmente não estamos pensando da melhor forma possível”, destacou Nixon.
Mas, segundo ela, movimento não significa apenas dar uma caminhada para clarear a mente. A autora contou que passou a entender o movimento como uma forma de investigação, uma maneira de coletar diferentes tipos de dados através do corpo.
“Quando faço uma aula de dança de salão ou nado em águas abertas, experimento um tipo diferente de pensamento acontecendo através do meu corpo, um tipo diferente de coleta de dados que absorvo através do movimento. Saio da minha cabeça e entro no meu corpo, o que, paradoxalmente, me ajuda a pensar melhor”, acrescentou.
Para aplicar isso na prática, ela recomenda começar a incorporar movimento à sua rotina de trabalho. Por exemplo, atenda ligações enquanto caminha, trabalhe em pé, crie sessões de brainstorming que levem as pessoas para fora das salas de reunião e para diferentes espaços físicos.
2- Substitua “produtividade” por “cultivo”
“Eu desafio a premissa fundamental da nossa cultura de trabalho ao propor que deixemos de perguntar ‘Como posso ser mais produtivo?’ para perguntar ‘O que posso cultivar?’. A diferença é profunda”, apontou a especialista.
Essa percepção, ela explicou, surgiu de uma análise retrospectiva. “Antes da primeira revolução industrial, a maioria das sociedades tinha economias baseadas na agricultura. Não estou romantizando a agricultura (que é o ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo por excelência), mas o modelo agrícola oferece uma estrutura poderosa para o trabalho moderno”, comentou.
O ponto, de acordo com ela, é que, quando cultivamos, valorizamos tanto o praticante individual quanto o coletivo. “Valorizamos os rápidos surtos de crescimento, mas também valorizamos o crescimento lento. Valorizamos a mensuração do que podemos ver, mas também levamos em conta que há muita coisa acontecendo durante os períodos de dormência – fermentando e marinando. Se confiarmos no processo através da experiência, sabemos que algo incrível surgirá”, afirmou.
E complementou: “Como um agricultor que entende que o solo precisa de tempo para se regenerar entre as estações, líderes eficazes devem criar espaço para que as ideias se desenvolvam organicamente, em vez de forçar uma produção constante”.
3- O descanso é uma vantagem estratégica, não um luxo
“Talvez o elemento mais radical da minha estrutura seja posicionar o descanso como uma vantagem competitiva. Quando descansamos, nos restauramos. A restauração é muito importante para despertar novas perguntas. Quando ficamos exaustos e esgotados, as novas formas de pensar, as novas maneiras de perguntar ‘Será que já tentei isso?’ simplesmente não surgem. Quando você está cansado, você está apenas tentando sobreviver”, enfatizou Nixon.
Sendo assim, ela indicou que é preciso reconhecer que o descanso opera em múltiplas escalas – desde micropausas durante o dia de trabalho até períodos sabáticos a cada cinco ou sete anos. A chave é o planejamento intencional de períodos de descanso que realmente restaurem a capacidade cognitiva.
“Minha própria prática ilustra esse princípio. Como empreendedora, faço aulas de dança três vezes por semana, participo de micro-retiros que duram um dia e garanto caminhadas diárias — mesmo que sejam de apenas cinco minutos. Tornei-me muito consciente da autopreservação e da autocompaixão. Percebi que, quando estava ‘procrastinando’ (quando me afastava do laptop), voltava e, de repente, as coisas davam certo, ou eu tinha uma ideia que parecia ainda melhor do que antes”, finalizou.
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