No ambiente de trabalho, é possível separar as pessoas em dois grupos: um é o das que estão exaustas, mas conseguem superar a fadiga mental e física para alcançar objetivos de longo prazo e, o outro, das que estão exaustas, mas desistem.
Em artigo publicado no Inc., o ghostwriter e LinkedIn Top Voice Jeff Haden, autor de The Motivation Myth: How High Achievers Really Set Themselves Up to Win, comentou que o os que diferencia os dois é que o primeiro entende, mesmo que intuitivamente, a regra dos 40% dos Navy SEALs, força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos.
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“A premissa é simples. Quando nossas mentes dizem que estamos exaustos, esgotados e totalmente esgotados, na verdade só completamos 40%: ainda temos 60% de energia”, ele explicou.
Mas, se é dessa forma, por que paramos? Um novo estudo publicado no Journal of Neuroscience tem a resposta. Em experimentos com voluntários saudáveis submetidos a exames de ressonância magnética funcional, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, descobriram aumento na atividade em duas áreas do cérebro que trabalham juntas para reagir e possivelmente regular o cérebro quando ele está “se sentindo” cansado e desiste ou continua exercendo esforço mental.
Os 28 participantes do estudo, com idades entre 21 e 29 anos, receberam US$ 50 (aproximadamente R$ 279) e foram informados de que poderiam ganhar mais dinheiro com base em seu desempenho e escolhas.
Eles fizeram testes de memória de trabalho, realizados durante exames de ressonância magnética cerebral. Esses testes incluíram a observação de uma série de letras, em sequência, em uma tela e a memorização da posição de determinadas letras. Quanto mais distante uma letra estava na sequência, mais difícil era memorizar sua posição, aumentando o esforço cognitivo despendido.
O grupo recebeu feedback sobre seu desempenho após cada etapa e oportunidades de ganhar pagamentos crescentes (de US$ 1 a US$ 8, ou R$ 5,6 a R$ 44,6) com exercícios de memorização mais complexos. As pessoas também tiveram de autoavaliar seu nível de fadiga cognitiva antes e depois de cada teste.
No geral, os resultados constataram aumento da atividade e da conectividade em duas áreas do cérebro quando os participantes relataram fadiga cognitiva: a ínsula direita, uma área profunda no cérebro associada a sentimentos de fadiga, e o córtex pré-frontal dorsal lateral, que controla a memória de trabalho.
Para cada participante, a atividade em ambas as regiões cerebrais durante a fadiga cognitiva aumentou mais que o dobro do nível das medições basais realizadas antes do início dos testes.
Os pesquisadores constataram que os incentivos financeiros precisavam ser altos para que as pessoas exercessem maior esforço cognitivo, sugerindo que incentivos externos estimulam tal esforço.
“As duas áreas do cérebro podem estar trabalhando juntas para decidir evitar mais esforço cognitivo, a menos que haja mais incentivos. No entanto, pode haver uma discrepância entre as percepções de fadiga cognitiva e o que o cérebro humano é realmente capaz de fazer”, comentou Vikram Chib, professor associado de Engenharia Biomédica e pesquisador científico no Instituto Kennedy Krieger, em comunicado.
Ele acrescentou que a fadiga está associada a muitas condições neurológicas, incluindo depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
“Agora que provavelmente identificamos alguns dos circuitos neurais responsáveis pelo esforço cognitivo em pessoas saudáveis, precisamos analisar como a fadiga se manifesta no cérebro de pessoas com essas condições”, salientou.
Motivos significativos
Em ser artigo, Haden observou que decidir desistir é sempre uma decisão de benefícios/recompensas. “Se você estiver criando uma demonstração de vendas, não se esforçará mais a menos que ache que vale a pena: se mais trabalho gerar um resultado consideravelmente melhor ou se o resultado potencial da demonstração for suficientemente bom”, escreveu.
E seguiu: “Seu cérebro pesa o esforço em relação ao resultado. É por isso que eu lhe oferecer US$ 1 mil (R$ 5,6 mil) por mais 10 minutos faz com que você, de repente, ‘encontre’ reservas de energia mental ou física que você não imaginava ter”.
Segundo ele, outro fator relevante nessa equação é o tempo. Para exemplificar isso, o especialista citou um estudo publicado na PLoS One, que constatou que pessoas solicitadas a pedalar uma bicicleta ergométrica com um determinado nível de resistência pelo máximo de tempo possível duraram cerca de 12 minutos, até dizerem que não conseguiam mais. Porém, quando lhes foi pedido que repetissem um teste de potência máxima de cinco segundos, conseguiram produzir três vezes mais potência do que no teste de resistência.
“Seus músculos não estavam esgotados. Suas mentes estavam esgotadas”, comentou Haden. “Mesmo que você ache que está exausto, tentar por mais cinco segundos não é (relativamente) nada.”
Diante disso tudo, ele afirmou que a capacidade de superar a fadiga mental ou física é uma característica que pode ser desenvolvida, e que, a curto prazo, para quem quiser continuar, a chave é encontrar motivos significativos para manter o rumo.
“O segredo é encontrar um ‘porquê’ maior e mais duradouro, que supere a sensação de que você ‘terminou’. E estabelecer limites de tempo para o seu esforço. Não sabe quando terminará? Você provavelmente decidirá em, digamos, 30 minutos, mesmo que pudesse ir mais longe. Mas se você disser: ‘Vou dar mais uma hora’, aí está um limite, um limite que você encontrará as reservas de energia para atingir”, ele relatou.
E completou: “Quando você pensa que terminou, na verdade não terminou. Sua ínsula direita e seu córtex pré-frontal dorsal lateral acabaram de decidir que você terminou.
E você pode facilmente – com os incentivos certos e a perspectiva certa – decidir que ainda não terminou”.
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