Após o Big Bang, nosso universo se expandiu a uma taxa exponencial. De acordo com essa teoria, o crescimento explosivo produziu flutuações quânticas que mais tarde evoluíram para galáxias. A tese, formulada nas décadas de 1980, explica como nosso universo se tornou tão grande e predominantemente homogêneo, e é por isso que ela permanece sólida há décadas.
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Mas uma proposta ousada publicada neste mês na revista científica Physical Review Research está desafiando a teoria. Formulada pelo Raúl Jiménez, físico teórico da Universidade de Barcelona, na Espanha, e seus colegas, propõe uma abordagem mais simples para explicar os instantes iniciais do universo, dispensando elementos até então considerados essenciais, como o campo hipotético que teria impulsionado a rápida expansão após o Big Bang.
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A proposta de Jiménez parte de uma ideia mais direta: o universo teria surgido em um estado conhecido como espaço de De Sitter: um vácuo plano, regido pela relatividade geral. Ao aplicar energia a esse sistema, flutuações quânticas teriam gerado ondas gravitacionais que, por sua vez, semearam irregularidades de densidade que evoluíram para estrelas, planetas e galáxias.
A elegância da proposta está justamente em sua simplicidade. “Físicos buscam modelos com o menor número possível de parâmetros arbitrários”, explicou Arthur Kosowsky, cosmólogo da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, em entrevista ao Gizmodo. Por esse motivo, ele vê com bons olhos a iniciativa de buscar explicações que surjam naturalmente de leis conhecidas da física.
Por outro lado, o próprio Jiménez reconhece que a teoria pode não resistir à confrontação com os dados observacionais. Ainda assim, destaca, mesmo a refutação de um modelo ajuda a estreitar as possibilidades e entender o que não funciona — uma prática comum em áreas como a busca por matéria escura.
Outros cosmólogos, como Andrew Liddle e Marina Cortês, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em Lisboa, elogiaram a novidade, embora tenham ressalvas quanto à simplicidade do modelo. Ambos reconhecem que o Big Bang ainda é a explicação com maior respaldo observacional, mas celebram o surgimento de ideias alternativas que desafiem o status quo.
Com a cosmologia vivendo o que muitos consideram uma era de ouro, marcada por dados em crescimento exponencial e análises cada vez mais sofisticadas, propostas como essa reforçam a efervescência do campo. “Estamos tentando dar o próximo passo e responder por que o universo é como é, e não apenas descrever como ele parece ser”, resumiu Kosowsky.
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