Nos bastidores do Palácio do Planalto, existe o receio de que autoridades americanas passem a argumentar que mecanismos de transferência instantânea podem facilitar a movimentação de recursos ligados ao crime organizado. Caso essa interpretação ganhe força, bancos e instituições financeiras que operam transações por meio do Pix poderiam acabar enfrentando questionamentos ou até eventuais sanções relacionadas ao trânsito desses recursos.
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas acendeu um sinal de alerta no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A preocupação envolve não apenas o combate ao crime organizado, mas também possíveis reflexos sobre o sistema financeiro brasileiro, incluindo o Pix.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, existe o receio de que autoridades americanas passem a argumentar que mecanismos de transferência instantânea podem facilitar a movimentação de recursos ligados ao crime organizado. Caso essa interpretação ganhe força, bancos e instituições financeiras que operam transações por meio do Pix poderiam acabar enfrentando questionamentos ou até eventuais sanções relacionadas ao trânsito desses recursos.
A medida anunciada pelos Estados Unidos será implementada em duas etapas. O Departamento de Estado dos Estados Unidos definiu uma dupla classificação para as facções, com efeitos jurídicos distintos e complementares. As organizações serão enquadradas como Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT) e também como Organização Terrorista Estrangeira (FTO), sendo que uma das classificações já possui força legal imediata, enquanto a outra passa a valer em 5 de junho.
A classificação SDGT é administrada pelo Departamento do Tesouro americano e tem foco principalmente financeiro. Entre seus efeitos estão o congelamento de ativos e a restrição ao acesso ao sistema financeiro baseado em dólar.
Já a categoria FTO amplia significativamente as consequências jurídicas. Sob responsabilidade do secretário de Estado dos EUA, ela criminaliza qualquer forma de apoio às organizações listadas, levando o enfrentamento dessas facções para um campo jurídico mais amplo do que as tradicionais ações de segurança pública.
O temor do governo brasileiro é que os desdobramentos da medida ultrapassem as investigações criminais e atinjam setores da economia. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ser necessário “defender a infraestrutura do Pix” e “os empresários que eventualmente possam ser afetados com isso”.
Lula teme ataque ao Pix após decisão dos EUA contra CV e PCC
Fonte: Gazeta Mercantil – Economia




