A árvore mais alta do Brasil é um angelim-vermelho (Dinizia excelsa), com impressionantes 88,5 metros de altura e quase 10 metros de circunferência. Localizada na Floresta Estadual do Paru, no norte do Pará, na divisa com o Amapá, essa espécie é considerada a maior não só do país, mas de toda a América Latina.
Para visualizar sua imponência: ela é mais alta que o Cristo Redentor (38 m) e a Torre de Pisa (57 m), ficando a poucos metros do Big Ben (96 m) e da Estátua da Liberdade (93 m).
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Como foi descoberta
O angelim-vermelho foi identificado inicialmente por sensores a laser transportados por aviões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante mapeamentos da vegetação em 2019. A confirmação da altura só veio em 2022, após uma série de expedições realizadas por pesquisadores do Imazon e do Instituto Federal do Amapá (Ifap), que percorreram cerca de 400 km de rios e mais 40 km de trilhas na mata fechada.
A estimativa é que o exemplar tenha entre 400 e 600 anos de idade. Cientistas ainda tentam determinar sua idade exata a partir de anéis de crescimento obtidos com brocas especiais.
Um santuário sob ameaça
A Floresta do Paru é considerada um “santuário das árvores gigantes”, abrigando dezenas de outros angelins com mais de 70 metros. No entanto, essa área está sob crescente ameaça de desmatamento ilegal, grilagem e garimpo.
Segundo o Imazon, somente desde 2008 foram desmatados entre 46,5 e 74 km² na região. Em 2019, a Flota do Paru foi a terceira unidade de conservação mais desmatada da Amazônia. Em novembro de 2022, mais de trinta registros irregulares de propriedade (CARs) estavam sobrepostos à área da floresta.
O uso de mercúrio no garimpo próximo, além de ameaçar diretamente o solo e a água, aumenta a circulação de pessoas e pressiona ainda mais esse ecossistema vulnerável.
O valor ecológico e científico
Além de seu porte monumental, o angelim-vermelho é crucial para a manutenção da biodiversidade e o sequestro de carbono. A região onde está inserido é considerada um hotspot ecológico — rica em diversidade e essencial para o estudo do clima e da ecologia da Bacia Amazônica.
Os dados obtidos nas expedições estão ajudando na criação de mecanismos para proteger não só essa árvore, mas todo o ecossistema ao seu redor. A inteligência artificial também está sendo utilizada para calcular a biomassa da área e aprimorar estratégias de conservação.






