Pesquisadores da Universidade de Sichuan, na China, desenvolveram microesferas comestíveis que podem auxiliar na perda de peso ao limitar a absorção de gordura no intestino. As estruturas, feitas a partir de polifenóis do chá verde, vitamina E e revestidas por um polímero derivado de algas marinhas, foram apresentadas no encontro anual da Sociedade Norte-Americana de Química (ACS), realizado este mês.
Nos testes com ratos alimentados com dietas ricas em gordura, os animais excretaram mais lipídios nas fezes, sem apresentar os efeitos colaterais associados ao Orlistate utilizado para perda de peso, mas que pode causar danos ao fígado e rins, além de desconfortos gastrointestinais.
De acordo com os cientistas, as microesferas atuam diretamente no trato digestivo, de forma não invasiva, e podem ser facilmente incorporadas à alimentação em formatos semelhantes as bolhas de tapioca utilizadas em bubble tea.
Especialistas ressaltam, no entanto, que os resultados ainda são preliminares. “Dados em ratos são interessantes, mas não é possível assumir que terão o mesmo efeito em humanos. É preciso avaliar eficácia e segurança em ensaios clínicos”, afirmou Naveed Sattar, professor de medicina cardiometabólica da Universidade de Glasgow, em entrevista à Newsweek.
Outros pesquisadores também destacaram que substâncias que reduzem a absorção de gordura podem interferir na ingestão de vitaminas lipossolúveis e causar efeitos adversos conhecidos, como a eliminação involuntária de gordura pelas fezes.
A equipe chinesa já iniciou um ensaio clínico em parceria com o Hospital da China Ocidental, com a participação de 26 voluntários. Todos os ingredientes usados na formulação são de grau alimentício e aprovados pela FDA, a agência regulatória dos EUA, segundo os pesquisadores. Os primeiros resultados com humanos devem ser divulgados no próximo ano e indicar se a inovação poderá, de fato, representar uma alternativa mais segura e acessível no combate à obesidade.






