Criança está em estado grave após transplante realizado na Itália com órgão que teria sido danificado durante o transporte. Família denunciou o caso, autoridades investigam possível negligência e menino aguarda novo coração para sobreviver
Um menino de dois anos e três meses está em estado grave após receber um transplante de coração que teria chegado “queimado” ao hospital. A cirurgia foi realizada em 23 de dezembro no Hospital Monaldi, em Nápoles, na Itália. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o órgão pode ter sido danificado durante o transporte, possivelmente devido ao uso inadequado de gelo seco. A família registrou queixa junto às autoridades italianas e afirma que agora “espera por um milagre”.
“O tempo está passando rápido, meu filho não está bem e está em estado grave. Há 50 dias ele luta entre a vida e a morte. Só peço que outro coração chegue logo. Hoje ele ainda pode passar por um segundo transplante, mas não sabemos se amanhã isso será possível. Se não surgir um novo coração em 48 horas, ele pode não resistir”, disse a mãe da criança, identificada como Patrizia, ao jornal Corriere della Sera. O nome do menino foi preservado.
De acordo com o veículo italiano, o coração saiu de Bolzano no dia 23 de dezembro, após a morte do doador. Durante o transporte até Nápoles, o órgão não teria sido conservado de forma adequada e chegou inutilizado.
O chefe da equipe médica e dois cirurgiões responsáveis pelo procedimento foram suspensos. O hospital também decidiu interromper temporariamente os transplantes pediátricos por precaução. A instituição abriu uma investigação interna para apurar como um órgão inviável foi implantado.
O Ministério Público de Nápoles indiciou seis pessoas, tanto em Bolzano quanto em Nápoles, por suspeita de negligência. As investigações apuram duas hipóteses principais: falhas na conservação e no transporte do órgão, incluindo o uso de gelo seco, e possíveis irregularidades na realização do transplante.
“Só nos disseram que o transplante não tinha dado certo. Agora sabemos que colocaram no meu filho um coração que não funcionava”, afirmou a mãe.
A criança foi novamente incluída na lista europeia de transplantes pediátricos e aguarda um novo órgão. Segundo Patrizia, o menino foi diagnosticado com cardiomiopatia dilatada aos quatro meses de vida, mas levava uma rotina praticamente normal enquanto aguardava na fila há dois anos.
“Recebemos a ligação para o transplante e, desde então, ele está internado em coma induzido”, relatou.
De acordo com a mãe, o filho não acordou da anestesia, permanece sedado e não pode se movimentar. Ela afirmou ainda que só soube dos detalhes do caso dias depois, por meio da imprensa. “No hospital, apenas nos informaram que o transplante não havia sido bem-sucedido. Não imaginávamos o que tinha acontecido durante o transporte”, disse.
Apesar da situação, Patrizia reconheceu o esforço da equipe médica. “Mesmo com todos os problemas, os médicos estão fazendo tudo o que podem. Tentaram de todas as formas fazer o novo coração funcionar, mas não foi possível”, concluiu.






