Traficantes de armas com vínculos com os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã que controla parte do território do Iêmen, estão utilizando as plataformas X e WhatsApp para vender armamentos, inclusive de fabricação norte-americana, segundo relatório do Tech Transparency Project (TTP), organização que monitora a atuação de grandes empresas de tecnologia.
A investigação identificou 130 contas no X e 67 contas comerciais no WhatsApp operando como verdadeiras lojas de armas em uma aparente violação das políticas das próprias plataformas. Foram encontrados fuzis de alta potência, lançadores de granadas e armamentos marcados com inscrições como “Propriedade do Governo dos EUA” e “Organização do Tratado do Atlântico Norte”.
- Trump ameaça novos ataques ao Irã: ‘Ainda temos muitos alvos
- É fake: Brasil não forneceu urânio para o Irã
- As bombas que os EUA podem utilizar se Trump decidir atacar o Irã
Apesar de ambas as redes proibirem o comércio de armas, muitos desses perfis são assinantes de serviços pagos, como o X Premium e o WhatsApp Business. Alguns conteúdos promovendo armamentos chegaram a exibir anúncios publicitários da própria plataforma, sugerindo que as empresas possam ter lucrado com as postagens ilegais.
Mais da metade das contas no X estavam localizadas em Sanaã, capital do Iêmen controlada pelos Houthis, e compartilhavam conteúdos pró-rebeldes. Um dos perfis chegou a publicar um vídeo de “unboxing” de uma metralhadora leve norte-americana M249 SAW.
O relatório acusa as plataformas de negligência, principalmente após demissões em massa nas equipes de moderação de conteúdo, como as promovidas por Elon Musk desde que assumiu o X em 2022. A Meta, dona do WhatsApp, também reduziu seu quadro de funcionários ligados à segurança.
Em nota, o WhatsApp afirmou que revisa perfis comerciais e que, ao serem notificados, tomam as medidas cabíveis — inclusive banindo contas, como fizeram com dois perfis enviados pelo The Guardian. O X não comentou as conclusões do relatório.
Além das falhas na moderação, o caso levanta preocupações sobre o contrabando global de armas. Especialistas apontam que parte do armamento pode ter origem em estoques apreendidos pelos Houthis em 2014 ou ter sido desviado recentemente por rotas clandestinas envolvendo aliados como o Irã.
Autoridades dos Estados Unidos já impuseram sanções a redes de tráfico ligadas aos Houthis, acusadas de adquirir milhões de dólares em armamentos, inclusive russos.






