O dia seguinte ao anúncio de tarifas “recíprocas” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi marcado por queda das Bolsas de Valores e do valor do dólar ao redor do mundo, refletindo a preocupação de investidores com uma guerra comercial e com o risco de alta de preços e até de recessão da própria economia americana. Também houve impacto no preço de commodities, como o petróleo, que recuou mais de 6%. “O que Trump fez foi tornar os EUA tóxicos do ponto de vista dos investidores”, disse o economista André Perfeito.
Em Nova York, o Dow Jones fechou com perdas de 3,98%, ante queda de 4,84% do S&P (no pior desempenho diário desde junho de 2020). A maior desvalorização veio da Nasdaq, que concentra os papéis de empresas de tecnologia, de 5,97%. Só as ações da Apple derreteram 9,32%. A companhia depende da produção de aparelhos e de peças da China, e deverá ser afetada diretamente pela sobretaxa anunciada por Trump. Também fecharam no vermelho Amazon (-8,98%) e Meta (-8,96%), entre outras.
O quadro não foi diferente na Europa e na Ásia. Os índices acionários em Frankfurt, Paris e Milão recuaram mais de 3%, enquanto o japonês Nikkei caiu 2,77%. No Brasil, o Ibovespa conseguiu fechar pouco abaixo da estabilidade (-0,04%), aos 131,1 mil pontos, apesar das quedas de Vale e Petrobras, ambas acima de 3%. Segundo analistas, pesou aqui o fato de o País ter sido tributado por alíquota inferior à de outros países.
No anúncio feito na quarta-feira, 3, Trump anunciou uma sobretaxa linear de 10% para todos os países e outra individualizada que chega, por exemplo, a 34% no caso da China. O Brasil apareceu com a tarifa mínima de 10%.
Câmbio
O estresse se propagou ainda pelo mercado de câmbio. O índice DXY, que compara o dólar com outras seis divisas fortes, caiu mais de 2%, na mínima desde outubro de 2024. No Brasil, a moeda americana registrou queda de 1,20% e fechou valendo R$ 5,62 – que só não é menor do que os R$ 5,58 de 14 de outubro passado.
“O anúncio gerou temores de inflação e recessão nos Estados Unidos, o que levou os investidores a procurar mercados mais atrativos. O Brasil está no radar porque tem uma das moedas emergentes mais líquidas”, afirmou a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.
À tarde, Trump minimizou o impacto do tarifaço nos mercados e desdenhou das projeções de desaceleração da atividade nos EUA. Em breve conversa com repórteres na Casa Branca, o presidente americano disse que “o mercado está indo muito bem” e que a economia americana terá um “boom de crescimento\”. Ele disse ainda que está aberto a negociações tarifárias se outros países oferecerem “algo fenomenal”. Ontem mesmo, dirigentes do México reforçaram o desejo de estreitar relações com a União Europeia. No Canadá, o premiê Mark Carney falou em procurar parceiros comerciais “confiáveis”.
Leia Também: Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para Brasil