Julho das Pretas é um chamado à consciência, à potência e à estratégia. Neste mês em que celebramos a resistência e o protagonismo das mulheres negras, reunimos cinco executivas que não apenas romperam barreiras, mas que também redesenharam os caminhos possíveis. Elas compartilham suas estratégias para hackear um sistema, historicamente excludente, e mostrar que estar no topo não é exceção, é construção coletiva, planejamento e ousadia.
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Como uma das executivas negras à frente dessa transformação, eu trago minha própria trajetória como prova de que é possível ocupar espaços estratégicos sem abrir mão da identidade e dos valores. Ao longo de duas décadas de atuação, construí uma carreira sólida liderando agendas de diversidade e sustentabilidade nas maiores empresas do país, fundei a Gestão Kairós, uma consultoria referência no tema, e fui reconhecida internacionalmente por esse trabalho. Mais do que alcançar o topo, meu compromisso é abrir caminho para que outras mulheres negras também cheguem lá com voz, com poder e com propósito.
Por isso, perguntei para Ana Minuto, CEO da Minuto Consult; Indianara Dias, Gerente de Impacto e Relações com a Sociedade da Ambev; Núbia Souza, Gerente de Governança e Tecnologia do Instituto Unibanco; e Nina Silva, Investidora e Fundadora do Movimento Black Money, quais os segredos, dicas e estratégias que elas poderiam compartilhar com os nossos leitores.
Ana Minuto, CEO da Minuto Consult
“Minha estratégia é unir autoconhecimento, sabedoria ancestral, aquilombamento, desenvolvimento espiritual e técnico, rede de apoio e posicionamento firme. A mulher negra precisa cuidar do emocional e espiritual para não quebrar antes de começar. Além disso, entender como o racismo, o classismo e o machismo operam no sistema me permite criar soluções inovadoras, alinhar-me a parceiros com os mesmos ideais e ocupar espaços com coragem, sem me calar. Julho das Pretas reforça que é tempo de visibilidade e protagonismo”.
Indianara Dias, Gerente de Impacto e Relações com a Sociedade da Ambev
“A minha principal estratégia é investir no meu processo de autoconhecimento e desenvolvimento, seja através da terapia, sempre muito fundamental, ou de trocas saudáveis com a minha rede de apoio. Quanto mais conhecedora eu me torno de mim mesma, mais o meu olhar e energia estão voltados para mim. O ponto zero dessa estratégia nasce do meu eu, dos meus sonhos e desafios que eu quero vivenciar e realizar”.
Núbia Souza, Gerente de Governança e Tecnologia do Instituto Unibanco
“A dor residual da brutalização humana, iniciada no período colonial, não passa despercebida pela mulher negra no ambiente corporativo ainda nos dias de hoje. O primeiro passo para uma mudança nas estruturas é termos atenção especial a nossa saúde física e mental, fortalecermo-nos em nossa ancestralidade, entender quem somos neste ambiente, o que somos para este ambiente e não paralisarmos diante de algum constrangimento. A estratégia é não cair na armadilha de que o letramento sozinho dará conta de movimentar as estruturas, este, sem o fazimento, nada mais é do que uma barreira para que tudo continue igual”.
Nina Silva, Investidora e Fundadora do Movimento Black Money
“Minha estratégia tem sido em atuar com intencionalidade e ações afirmativas em cadeia, promovendo equidade racial e de gênero nas lideranças, enegrecendo o acesso aos meios de produção e o supply chain de grandes empresas, e auxiliando corporações na transformação da inclusão em compromisso real até se tornar presente no DNA empresarial. Pois não basta se dizer aliado — é preciso reequilibrar poder e construir um novo pacto social com protagonismo negro e feminino”.
O que une essas trajetórias potentes é a consciência de que o sucesso da mulher negra não é fruto do acaso. É estratégia, resistência e visão coletiva. Todas nós falamos sobre intencionalidade, cuidado com a saúde emocional, conexão com a ancestralidade e construção de redes de apoio como pilares para ocupar e transformar os espaços de poder. Mais do que hackear o sistema, essas executivas estão reescrevendo as regras do jogo do mundo corporativo, mostrando que liderança negra e feminina é, sim, sinônimo de inovação, coragem e futuro.
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