Aos 9 anos, Alexandr Wang já era considerado um pequeno gênio da matemática. Mais ou menos por essa época, começou a tocar violino. Aos 12, aprendeu (sozinho) a criar códigos e passou a participar de competições de programação. Aos 17, conseguiu empregos na área de engenharia de empresas como a fintech Addepar e o site de perguntas e respostas Quora. Dois anos depois, foi aprovado para o curso de matemática e ciência de computação do MIT. Mas não ficaria muito tempo na universidade, deixando a teoria de lado em 2016 para fundar, ao lado de Lucy Guo, também ex-aluna do MIT, a Scale AI. Em 2021, se tornaria um bilionário, com cerca de 14% das ações da startup, avaliada naquele ano em mais de US$ 7 bilhões. Finalmente, em 2025, viu sua empresa ser comprada pela Meta, ao mesmo tempo em que se tornava o diretor do Superintelligence Labs (MSL), maior aposta de Zuckerberg para o futuro da IA. Tudo isso, vale lembrar, antes de completar 29 anos.
Listado como o bilionário self-made mais jovem do mundo em 2022, hoje sua fortuna é estimada em US$ 3,6 bilhões), Wang nasceu em 1997 no estado do Novo México, em Los Alamos, cidade conhecida por ser o local onde os Estados Unidos desenvolveram sua primeira bomba atômica. Filho de imigrantes chineses que trabalhavam como físicos para a Força Aérea e para o exército dos Estados Unidos, o jovem se inspirou nas conquistas deles para “trabalhar em algo impactante e fazer a diferença no mundo”, como disse em um TED Talk de 2022.
A criação privilegiada de Wang foi crucial para proporcionar a ele uma base sólida em ciência e tecnologia. Em 2012, com 15 anos, ficou em quinto lugar na Pesquisa de Talentos Matemáticos dos Estados Unidos. Dois anos depois, foi selecionado entre os 20 melhores estudantes da Olimpíada de Física dos EUA. Após trabalhar por um breve período no Vale do Silício, e de uma passagem fulminante pelo MIT, contou com o apoio da aceleradora Y Combinator para lançar a Scale AI. O objetivo da startup é ajudar empresas a transformar um volume enorme de informações brutas em dados prontos para alimentar a inteligência artificial. “Para fazer a IA funcionar, você precisa de dados poderosos, algo difícil de encontrar em 2016”, disse Wang em um TED Talk. Em 2019, a startup se tornou um unicórnio, acumulando clientes gigantes como General Motors e trabalhando em projetos ligados à direção autônoma e eficiência de cadeia de suprimentos. E nunca mais parou de crescer.
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Até que, em 2025, a vida de Wang passou por uma reviravolta radical. Quando Mark Zuckerberg se aproximou da Scale AI, não estava interessado apenas na tecnologia inovadora da startup. O que o CEO da Meta queria era arregimentar um dos maiores talentos da tecnologia do momento para colocá-lo à frente de um projeto grandioso: o setor de superinteligência da Meta, pensado para competir em pé de igualdade com Google e OpenAI. No começo de junho, foi anunciada a compra de 49% da Scale AI por US$ 14,3 bilhões, e a saída do seu CEO para dirigir o Superintteligence Labs. “Oportunidades dessa magnitude geralmente têm um custo”, escreveu Wang em um memorando. “Neste caso, esse custo é a minha saída da Scale AI”, disse Wang.
A aposta de Zuckerberg é que ele seja o catalisador que a Meta precisa para superar as rivais na corrida pela criação e venda da inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês). “À medida que o ritmo do progresso da IA se acelera, o desenvolvimento da superinteligência está se aproximando”, escreveu Zuckerberg. “Acredito que esse será o início de uma nova era para a humanidade, e estou totalmente comprometido em fazer o que for necessário para que a Meta lidere o caminho”, disse o CEO.
Apesar de sua reputação como mago da tecnologia, um aspecto da personalidade de Alexandr Wang provoca polêmica: sua proximidade com o partido republicano. Um dia após a posse do presidente Donald Trump, em janeiro, o fundador da Scale AI descreveu cinco maneiras com as quais o presidente poderia promover a IA em seus primeiros cem dias. O texto foi publicado em um anúncio de página inteira no The Washington Post de 21 de janeiro. “Se os Estados Unidos continuarem na trajetória atual, corremos o risco de ficar para trás”, escreveu Wang, dizendo que o governo deveria investir mais em dados e computação. Wang já havia conquistado a simpatia de legisladores republicanos em Washington em 2023, por conta de suas preocupações com a China. Durante uma série de discussões a portas fechadas sobre IA promovidas pelo Senado, Wang afirmou estar preocupado com a concorrência chinesa. “A capacidade da nossa nação de adotar e implementar IA com eficiência definirá o futuro das operações militares.”
Como seria de se esperar, Wang esteve presente na posse de Trump, ao lado de Zuckerberg e da maior parte dos CEOs de big techs do Vale do Silício. Depois, escreveu no X: “Honrado por ter sido convidado para a cerimônia”. No futuro, esses laços também poderão beneficiar a Meta em seu esforço para entrar na indústria de defesa americana.






