A terceira temporada de The White Lotus, da HBO, gerou uma súbita explosão de interesse pelo lorazepam, de acordo com pesquisadores dos Estados Unidos. Na série, o medicamento classificado como benzodiazepínico é frequentemente usado pela personagem Victoria Ratliff.
Segundo o The Guardian, uma equipe da Universidade da Califórnia em San Diego analisou dados do Google e verificou que as buscas por lorazepam permaneceram estáveis de janeiro de 2022 até o final da primeira semana de fevereiro de 2025. Contudo, após o lançamento do programa, em 16 de fevereiro, ficaram em níveis elevados durante 12 semanas.
Os resultados do trabalho, publicado na revista JAMA Health Forum, mostram que houve quase o dobro de pesquisas relacionadas ao medicamento durante esse período de 12 semanas do que o esperado normalmente, o que equivale a cerca de 1,6 milhão de buscas adicionais.
Além disso, houve aumento no número de buscas sobre como obter lorazepam – elas foram cerca de 64% maiores do que o esperado para o período de 12 semanas, refletindo cerca de 30.000 buscas extras.
Os pesquisadores observaram que, embora não seja possível determinar se as pessoas estavam simplesmente buscando informações sobre o remédio ou o comprando, os resultados levantam preocupações, dado o aumento na prescrição desse tipo de produto e o crescimento de farmácias online ilegais que os vendem sem receita médica.
Eles ainda alertam que The White Lotus não tratou dos riscos da interrupção repentina do lorazepam nem dos perigos do consumo de álcool durante o uso, e afirmam que a indústria do entretenimento deveria desenvolver abordagens de “melhores práticas” para a forma como os medicamentos prescritos são apresentados.
Olivia Maynard, da Universidade de Bristol, do Reino Unido, que não participou do estudo, disse ao The Guardian que os dados são impressionantes.
“O fato de este programa de TV estar levando as pessoas a considerarem a compra de benzodiazepínicos online é particularmente preocupante, porque existe uma enorme produção ilícita de benzodiazepínicos, e esses medicamentos são frequentemente dosados incorretamente e/ou de forma inconsistente e, às vezes, contêm substâncias completamente diferentes”, salientou.
E completou: “Recentemente, descobriu-se que alguns ‘benzodiazepínicos’ ilícitos comprados online continham nitazenos, um opioide sintético perigoso, que pode levar à overdose ou até mesmo à morte se ingerido”.






