A maioria dos americanos não tem “empregos de qualidade”, segundo um estudo publicado pela Gallup, que se baseia em dados de 2025 obtidos a partir de entrevistas com mais de 18.400 trabalhadores de diversos setores e modelos de emprego, abrangendo profissionais da saúde, indústria, tecnologia e outros setores.
De acordo com as informações do The Washington Post, o bem-estar mental e o ambiente de trabalho dos funcionários muitas vezes não recebem a devida atenção em pesquisas, o que leva a uma compreensão limitada dos fatores que moldam as experiências profissionais e, consequentemente, restringe o entendimento sobre como isso afeta a qualidade de vida geral dos trabalhadores. A Gallup, pórem, quis considerar isso.
“Métricas claras e consensuais sobre a qualidade do emprego eram escassas até agora, e um ‘emprego de qualidade’ significa coisas diferentes para trabalhadores diferentes”, afirmaram os pesquisadores. Para considerar essas diferenças, os estudiosos estabeleceram “limites mínimos” para cada uma das cinco dimensões da qualidade do emprego, sem determinar o que seria um emprego ideal para cada trabalhador ou ambiente de trabalho.
Segundo os dados, apenas 2 em cada 5 trabalhadores nos Estados Unidos têm empregos que proporcionam bem-estar financeiro, locais de trabalho seguros e respeitosos, algum controle sobre suas atividades, voz nas decisões que os afetam e oportunidades de desenvolver habilidades e progredir na carreira.
Para a Gallup, um trabalho só é considerado de qualidade se atender ao limite mínimo em pelo menos três dessas categorias. A seguir, confira todas elas e veja se o seu ambiente profissional se enquadra nos critérios ou se está na hora de pensar em mudar de emprego:
1) Você consegue viver com o seu salário?
Os pesquisadores definiram limites que representam “um nível mínimo capaz de atender às necessidades básicas, ao mesmo tempo em que fornece um padrão consistente e comparável nacionalmente para monitorar o progresso ao longo do tempo”.
Apesar disso, eles observaram que muitos trabalhadores precisam de rendimentos mais altos para se sentirem financeiramente seguros, dependendo de fatores como o custo de vida regional e a composição familiar.
2) Você tem controle sobre suas horas de trabalho?
Horas extras e horários instáveis são uma realidade em diversos setores, afetando desde trabalhadores de baixa renda em restaurantes e no varejo até profissionais de colarinho branco em finanças, saúde e tecnologia.
“Proporcionar autonomia e cargas de trabalho razoáveis reduz o estresse e o esgotamento, aumenta a satisfação e melhora a retenção — beneficiando tanto funcionários quanto empregadores”, aponta o relatório. No varejo, essa autonomia demonstrou “impulsionar as vendas e reduzir os custos com mão de obra”.
No entanto, apenas um quarto dos trabalhadores entrevistados afirma “concordar fortemente” que tem liberdade para decidir como fazer seu trabalho, enquanto 45% concordam “parcialmente”.
A professora Carol Kulik, da Universidade da Austrália do Sul e pesquisadora da Academia de Administração, afirmou que décadas de estudos mostram que “a autonomia é um dos maiores contribuintes para o bem-estar dos funcionários, dentro e fora do trabalho”.
Segundo ela, “a autonomia permite que o trabalhador antecipe fatores estressantes em vez de apenas reagir a eles, ajustando seu comportamento de acordo”.
Em termos de horas trabalhadas versus desejadas, poucos funcionários têm horários considerados de alta qualidade. Quase dois terços de todos os trabalhadores “carecem de horários previsíveis, estáveis e sobre os quais tenham algum controle”, conclui o relatório.
3) Você tem voz no trabalho?
A Gallup perguntou aos trabalhadores se eles têm influência suficiente sobre seus salários, segurança e condições de trabalho, além de questionar sobre a participação nas decisões relativas à adoção de novas tecnologias pelas empresas.
A maioria dos trabalhadores (69%) afirmou ter “menos influência do que deveria” sobre salários e benefícios. Quase metade (48%) disse não ter a influência necessária sobre segurança, intervalos e outras condições de trabalho.
“As condições de trabalho são a área em que os funcionários mais desejam informações e também a área na qual eles têm mais probabilidade de relatá-las”, observa o relatório.
Quando perguntados sobre a influência desejada em decisões relacionadas a “novos softwares, ferramentas de inteligência artificial ou robótica”, mais da metade afirmou não ter qualquer participação.
4) Você se sente respeitado?
Trabalhadores com diploma de bacharelado (51%) ou pós-graduação (53%) são os mais propensos a concordar fortemente que se sentem respeitados no trabalho.
A maioria (83%) dos funcionários afirma concordar totalmente (46%) ou parcialmente (37%) que são tratados com respeito em seu emprego principal, enquanto 7% discordam parcial ou totalmente. Ainda assim, “existem lacunas” entre determinados grupos de identidade, segundo a Gallup.
As experiências também variaram entre gêneros: 52% dos homens asiáticos disseram se sentir respeitados, contra 40% das mulheres asiáticas. Entre trabalhadores multirraciais, 37% das mulheres afirmaram ser tratadas com respeito, comparadas a 52% dos homens.
No geral, cerca de um quarto dos trabalhadores relatou ter sido tratado injustamente ou discriminado por conta de sua identidade. Casos de discriminação e tratamento injusto foram mais comuns entre pessoas não binárias (52%), neurodivergentes (47%), descendentes do Oriente Médio/Norte da África (41%) e LGBTQ+ (36%).
5) Você tem oportunidades de treinamento e promoção?
Um quarto dos trabalhadores afirma não ter oportunidades de promoção ou crescimento em suas funções. No entanto, “o acesso a essas oportunidades difere entre os subgrupos de funcionários”, afirma o relatório.
De acordo com Kulik, a busca por mais oportunidades de crescimento é ainda mais urgente no mercado de trabalho atual, em que há maior ênfase na contratação baseada em habilidades.
“Historicamente, os empregadores contratavam com base no potencial e assumiam a responsabilidade pelo desenvolvimento dos funcionários”, afirmou. “Agora, os anúncios de emprego se concentram menos em diplomas universitários e mais em anos de experiência — e os profissionais passaram a ser responsáveis pelo próprio desenvolvimento.”
Homens têm mais probabilidade de ter um emprego de qualidade
Segundo os dados da pesquisa, homens têm mais probabilidade do que mulheres de ocupar empregos de qualidade — 45% contra 34%.
Por setor, os trabalhadores de serviços profissionais (53%), finanças (48%) e comércio atacadista (49%) lideram em qualidade de emprego. Em contraste, apenas 29% dos trabalhadores do setor de lazer e hospitalidade e 26% dos que atuam no varejo e em armazéns ocupam empregos considerados de qualidade, conclui a Gallup.






