A osteoartrite é a forma mais comum de artrite. Ela ocorre quando a cartilagem que protege as articulações se desgasta, e é dolorosa e debilitante. Mas novas pesquisas sugerem que a radioterapia de baixa dose (LDRT) pode funcionar como uma medida preventiva, diz a Science Direct.
Pesquisadores de toda a Coreia do Sul realizaram um ensaio clínico envolvendo 114 pessoas com osteoartrite de joelho. Um grupo recebeu uma dose alta de LDRT; outro recebeu dose mais baixa; e o terceiro foi submentido a um tratamento simulado, sem radiação. Os participantes não sabiam em qual grupo estavam.
Aqueles que receberam a dose mais alta de LDRT, administrada em seis sessões, relataram melhorias significativamente maiores na dor, na função física e no estado geral, em comparação com os outros dois grupos (embora também houvesse alguma evidência de efeito placebo).
O novo tratamento não restaura a cartilagem na osteoartrite grave, onde esse tecido já desapareceu, mas a LDRT se mostra promissora como forma de controlar os sintomas e tornar a osteoartrite mais tolerável. Mais testes estão planejados para verificar se há alguma alteração na estrutura da articulação.
“Pessoas com osteoartrite dolorosa no joelho frequentemente enfrentam uma escolha difícil entre os riscos dos efeitos colaterais dos analgésicos e os riscos da cirurgia de substituição da articulação”, afirma o radio-oncologista Byoung Hyuck Kim, da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Seul.
“Geralmente as opções são intervenções moderadas de analgésicos fracos e cirurgias agressivas. Ac editamos que a radioterapia pode ser uma opção adequada para esses pacientes, especialmente quando medicamentos e injeções são mal tolerados.”
Como apontam os pesquisadores, já existem algumas maneiras de combater a osteoartrite e suas consequências, incluindo perda de peso (para reduzir a pressão nas articulações) e medicamentos analgésicos comuns.
A LDRT, na verdade, já é utilizada como opção de tratamento em outros países. Ainda existem dados conflitantes sobre a eficácia dessas doses de radiação, o que explica em parte a realização deste novo estudo.
Um grupo de tratamento simulado foi incluído para ajudar a isolar os efeitos da LDRT, e também foram impostas limitações à quantidade de analgésicos que os voluntários poderiam tomar (o que já havia sido um problema em estudos anteriores).
Parte da razão pela qual ainda há alguma incerteza em relação à LDRT para osteoartrite se deve aos danos que a radiação pode causar, se não for adequadamente controlada. As doses administradas aqui foram inferiores a 5% das normalmente administradas para tratamentos de câncer e, de acordo com os pesquisadores, nenhum efeito colateral relacionado à radiação foi relatado pelos participantes do estudo.
“Existe um equívoco comum: as pessoas acham que a radiação medicinal, ou terapêutica, é sempre administrada em altas doses”, diz Kim. “Mas, para a osteoartrite, as doses são apenas uma pequena fração do que usamos para o câncer, e o tratamento tem como alvo articulações que estão posicionadas longe de órgãos vitais, o que reduz a probabilidade de efeitos colaterais.”
Acredita-se que a osteoartrite afete cerca de 595 milhões de pessoas em todo o mundo e tenha um impacto real nas capacidades físicas e na qualidade de vida. Ela se inicia com mais frequência após os 40 anos e o risco aumenta com a idade.
“Para osteoartrite grave, em que a articulação está fisicamente destruída e a cartilagem já foi perdida, a radiação não regenera o tecido”, diz Kim. “Mas, para pessoas com doença leve a moderada, essa abordagem pode atrasar a necessidade de substituição articular.”
A pesquisa foi apresentada na Reunião Anual da Sociedade Americana de Radio-Oncologia (ASTRO).






