O primeiro trabalho de Victor Dellorto como modelo fotográfico foi aos 12 anos, em Brasília, onde nasceu. Não demorou muito para, além das fotos, chegar às passarelas. Fã de esportes, ao mesmo tempo dividia uma campanha e outra com o basquete – chegou a jogar profissionalmente em alguns clubes de São Paulo durante a adolescência.
Quando fez 16 anos, recebeu sua primeira proposta de contrato internacional como modelo. “Aquela foi a primeira decisão difícil que tive de tomar na minha vida, porque o meu sonho naquela época era jogar basquete nos Estados Unidos, mas ser modelo internacional também me abriria muitas portas”, diz.
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Decidiu então seguir nas passarelas e, durante dois anos, viveu de sua imagem e por conta própria na China. A cada três meses mudava de cidade e vivia novas experiências o que, segundo ele, lhe deu uma uma visão de mundo, de indivíduo, de sociedade e de governo completamente diferente.
Voltou ao Brasil para o alistamento militar, em 2014, e acabou indo morar no Rio Grande do Sul com a então namorada gaúcha, também modelo, que conheceu na China. Adotou o estado como o lugar onde se estabeleceria e começaria uma segunda etapa de desenvolvimento pessoal e de realocação no mercado.
No meio do caminho acabou se formando em Comércio Exterior e, em 2015, conseguiu um emprego na gigante de software SAP, em São Leopoldo. Por lá, trabalhou com suporte ao cliente e customização de produtos, até que um dia, junto ao colega de empresa Lucas Braum, se deu conta que o marketing vivia uma rotina caótica, tomada por ferramentas genéricas e processos ineficientes.
“Notamos que os times de marketing ainda se viravam com Google Drive e planilha. Decidimos então sair da multinacional para tentar algo nosso, criar uma startup para tentar resolver o caos do marketing com tecnologia“, afirma Dellorto. E foi assim que, em 2018, os colegas se tornaram sócios e fundaram a Deskfy.
Resolvendo o caos operacional do marketing
Dellorto denomina a Deskfy como “o ERP do marketing”, uma plataforma que centraliza a gestão de tarefas, arquivos, ativos de marca e indicadores de produtividade. A proposta da startup é simples: acabar com o caos operacional das equipes de marketing.
O problema se materializa na rotina de gestores e analistas que se dividem entre inúmeros e-mails, grupos de WhatsApp e planilhas fragmentadas. Essa comunicação pulverizada é uma fórmula direta para o retrabalho, atrasos em entregas e campanhas com mensagens desconexas, um gargalo que se intensifica em operações de grande escala, como redes de lojas e franquias.
A plataforma SaaS centraliza toda a gestão do fluxo de trabalho em um único ambiente. Na prática, ela engloba funcionalidades cruciais para o dia a dia, como a disponibilização de templates editáveis, a organização de tarefas e solicitações, e a gestão centralizada de todos os materiais visuais da marca.
No primeiro semestre de 2025, a solução ganhou mais uma ferramenta para facilitar ainda mais a rotina dos times de marketing. A Deskfy lançou a MIA (Marketing Intelligence Assistant), assistente de inteligência artificial que permite criar textos, refinar ideias e checar fluxo de demandas, poupando tempo e minimizando retrabalho – 60% dos usuários da MIA dizem ter economizado entre 10 a 30 minutos quando comparado ao uso de IAs genéricas.
“Na minha visão como empreendedor, estamos vendo com a IA a mesma transformação de quando começamos a ter softwares em nuvem. Então, se você não estava na nuvem, você já era datado como fora de moda ou desatualizado. Com a IA não será diferente. Nesse contexto, optamos em vez de colocar IA em algumas funcionalidades, construir um agente dentro do nosso produto”, diz Dellorto.
Hoje, a plataforma da Deskfy é utilizada por mais de 200 marcas — incluindo Tramontina, Levi’s, Domino’s Pizza, Ambev e Arezzo — e atende cerca de 30 mil usuários em todo o país. Crescendo em ritmo sustentável, a startup por enquanto não vislumbra uma nova rodada de investimento – na última, ela captou uma rodada seed de R$ 1,3 milhão com a Ace e SaaSHolic. Antes disso, a companhia também tinha recebido aportes de anjo e um da aceleradora Ventiur.
“Encerramos 2024 com R$ 10 milhões em receita, um marco muito importante para nós. Agora, o desafio é como a gente salta para os R$ 20 milhões e para os R$ 30 milhões. Nesse momento que a gente está abaixando a cabeça e trabalhando, a gente acaba não divulgando tanto, porque o plano está em andamento. Mas essa é a visão”, afirma.
Longe das quadras de basquete, Dellorto se encontrou na corrida e começou, neste semestre, a participar de suas primeiras meia maratonas. Pai da Lorenza, de 2 anos, e do Giuseppe, de nove meses, o ex-modelo, que se considera workaholic, passou a tirar o pé do acelerador com a paternidade.
“Foi uma grande mudança. Sempre pensei no trabalho acima de tudo, mas quando voê constrói uma família, é forçado a entender que a gente não é só trabalho. É forçado a entender que existem outras coisas importantes na vida”, diz.
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