De acordo com reportagem da Scientific American, uma equipe de cientistas da Nestlé Purina desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de detectar possíveis doenças em gatos a partir do comportamento deles na caixa de areia. A iniciativa utiliza dados capturados por sensores e vídeos para analisar padrões sutis que podem indicar alterações na saúde do animal.
O ponto de partida foi a criação de um “etograma”, um catálogo detalhado com 39 comportamentos distintos observados durante o uso da caixa de areia. Entre eles estão movimentos como escavar, girar, farejar e cobrir, que podem variar de acordo com o nível de conforto do animal e fatores ambientais.
Segundo Ragen McGowan, diretora de desenvolvimento digital e de IA da Purina, os pesquisadores entenderam que essas variações comportamentais poderiam servir como indicadores precoces de doenças.
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O estudo, iniciado em 2018, reuniu dados de 191 gatos, sendo 140 monitorados em centro de pesquisa da empresa nos EUA e 51 em residências. Sensores de peso instalados em cada canto das caixas de areia registravam mudanças sutis nos movimentos, enquanto câmeras capturavam os vídeos de cada visita dos felinos.
Essas imagens foram meticulosamente analisadas e anotadas para ensinar a IA a reconhecer padrões comportamentais, como por exemplo, diferenciar uma micção rápida de um momento de hesitação ou desconforto prolongado. Foram analisadas mais de 300 mil gravações para treinar o sistema.
Aplicação prática: o monitor Petivity
A análise resultou no desenvolvimento do Petivity Smart Litter Box Monitor, lançado em 2022. O dispositivo é acoplado sob a caixa de areia convencional e consegue identificar individualmente cada gato da residência, com base em fatores como peso, horário de uso e padrão de comportamento. Isso gera uma “assinatura digital” para cada animal.
Além de alertar tutores sobre possíveis sinais de doenças, como insuficiência renal, obesidade, hipertireoidismo e infecções urinárias, o sistema também serve como ferramenta de monitoramento contínuo. Embora a tecnologia ainda esteja em processo contínuo de aprimoramento, a base científica por trás do monitor foi recentemente publicada na revista Applied Animal Behaviour Science.
A proposta é permitir uma abordagem preventiva, minimizando os riscos associados ao diagnóstico tardio em felinos, que muitas vezes ocultam sintomas de doenças até que estas estejam em estágio avançado.






