A China lançou um programa de vistos, chamado de K, para facilitar o estudo e a realização de negócios no país para jovens profissionais e pessoas com diplomas em Ciência e Tecnologia de universidades de ponta.
Essa iniciativa segue o caminho oposto dos Estados Unidos que, após a eleição de Donald Trump, está dificultando a contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados. Uma das últimas ações da administração americana foi uma taxa de US$ 100 mil (R$ 535,3 mil) para vistos H-1B, que permite que empresas do país contratem temporariamente profissionais de outras nações qualificados em ocupações especializadas que exigem um diploma de bacharel ou equivalente.
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Reportagem da Wired relata que as autoridades chinesas informaram que os candidatos não precisarão obter uma carta-convite de uma empresa específica, o que significa que o visto não está vinculado a empregadores individuais.
Mas o programa não foi bem recebido pelo público da China. Nas redes sociais, muitos têm expressado preocupações de que o novo visto dará aos estrangeiros uma vantagem sobre os graduados nacionais em STEM, acrônimo em inglês para Ciência (Science), Tecnologia (Technology), Engenharia (Engineering) e Matemática (Mathematics).
Chenchen Zhang, professor de relações internacionais na Universidade de Durham, escreveu em publicação na rede Bluesky que alguns influenciadores chineses estavam espalhando teorias da conspiração de que indianos planejavam usar o visto para imigrar em massa para a China. “A quantidade de racismo é insana”, comentou.
Já o tabloide estatal Global Times, conhecido por sua inclinação nacionalista, argumentou que o programa demonstra ao mundo “uma China mais aberta e confiante na nova era”. E acrescentou: “O visto H-1B é amplamente considerado um visto de trabalho projetado para atender às necessidades das indústrias americanas por profissionais qualificados. Em contraste, o visto K da China visa promover intercâmbios e cooperação entre jovens profissionais chineses e estrangeiros em ciência e tecnologia”.
Ato de equilíbrio
A Wired destaca que a China está tentando equilibrar dois valores conflitantes que podem defini-la nas próximas décadas: abertura e autossuficiência. Ao mesmo tempo em que o país quer atrair os melhores talentos em tecnologia e ciência, também não pode correr o risco de parecer dependente ou subserviente à expertise estrangeira.
Outro ponto é que, diferentemente dos Estados Unidos, a nação oriental não tem um histórico de imigrantes. Em 2020, apenas cerca de 0,1% da sua população continental era composta por estrangeiros, de acordo com estimativa de pesquisadores do Instituto Kiel para a Economia Mundial. Isso representa aproximadamente 1,4 milhão de pessoas.
E a China é um local mais fechado, com um cenário corporativo que opera em grande parte em chinês – idioma que poucos estrangeiros compreendem -, um ecossistema tecnológico único e que conta com um conjunto de programas e aplicativos desconhecidos.
Apesar disso, o Wired pontua que há indícios de que mais pessoas estejam dispostas a superar essas barreiras. Em lugares como Grécia, Espanha e Alemanha, por exemplo, a maioria das pessoas agora vê a China como a maior potência econômica mundial, de acordo com o Pew Research Center.
E a África, o continente com a população mais jovem e de crescimento mais rápido do mundo, já envia mais estudantes para estudar no país comandado por Xi Jinping a cada ano do que para os Estados Unidos ou o Reino Unido.
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