Reportagem da revista Nautilus mostra como um objeto comum, o pirulito, está no centro de uma inovação tecnológica promissora. Cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, desenvolveram um dispositivo chamado CandyCollect, que tem a aparência de um pirulito, mas com uma função muito mais sofisticada: detectar doenças infecciosas por meio da saliva.
O projeto é liderado por Ashleigh Theberge, química e pesquisadora com histórico interdisciplinar em engenharia biomédica e microfluídica. Sua trajetória, marcada por uma curiosidade científica desde a infância, culminou na criação de ferramentas voltadas para diagnósticos acessíveis e não invasivos.
- Como próteses gratuitas estão mudando a vida de pessoas após tratamento contra câncer
- Do psicodélico ao terapêutico: molécula DMT pode abrir nova frente contra o AVC
- Micróbios aliados: bactéria dentro de tumores pode tornar a quimioterapia mais potente
Como funciona o CandyCollect
O CandyCollect é um dispositivo de microfluídica, tecnologia que manipula pequenos volumes de líquido, projetado para capturar bactérias presentes na saliva. Ao ser colocado na boca como um pirulito comum, ele coleta amostras biológicas de forma simples, dispensando métodos invasivos como cotonetes ou coletas de sangue.
Esse tipo de coleta tem potencial para ampliar o acesso a testes diagnósticos, principalmente em contextos onde infraestrutura médica é limitada. A tecnologia também pode ser adaptada para outras análises de saúde, dependendo dos tipos de patógenos ou biomarcadores que os pesquisadores decidirem rastrear.
Ashleigh Theberge comanda o Bioanalytical Chemistry for Medicine and the Environment Lab, ao lado do engenheiro biomédico Erwin Berthier. O grupo desenvolve soluções voltadas à medicina personalizada, com foco em ferramentas que permitam a coleta de amostras em casa. Um dos projetos envolve tubos com substâncias capazes de estabilizar RNA em coletas de sangue, facilitando a análise genética sem exigir infraestrutura de laboratório.
A tecnologia usada nesses dispositivos foi tão requisitada por pesquisadores de universidades, empresas farmacêuticas e órgãos governamentais que a equipe decidiu fundar uma startup para comercializar os tubos de coleta e estabilização de RNA.
Microfluídica: a base do avanço
A microfluídica está no centro das inovações lideradas por Theberge. Essa tecnologia já é utilizada em aplicações como os chamados “órgãos em chip”, dispositivos que simulam órgãos humanos em miniatura para testes laboratoriais. Sua principal vantagem é permitir diagnósticos e análises com volumes muito pequenos de fluido, o que reduz custos e amplia a aplicabilidade em ambientes remotos.
Segundo Theberge, um dos maiores atrativos dessa área é sua natureza interdisciplinar: “É uma ferramenta que pode ser aplicada em diversas perguntas de diferentes campos”, afirmou à Nautilus.






