Passar horas navegando pelo TikTok, Twitter e Facebook tornou-se uma prática cotidiana para muitos usuários. Segundo um relatório da DataReportal, no Brasil, mais da metade da população passa cerca de 56,6% do tempo acordado em frente ao smartphone.
Os usuários consomem diferentes tipos de conteúdo, incluindo muitos negativos. Um exemplo são os perfis do TikTok dedicados exclusivamente a crimes reais ao redor do mundo, como o True Terror, que já acumula mais de 2,4 milhões de curtidas.
Esse fenômeno tem chamado a atenção de especialistas da saúde e recebeu até um termo específico: “doomscrolling”, também conhecido como doomsurfing.
Estudos e autoridades médicas apontam que o consumo excessivo de conteúdos negativos pode ser prejudicial à saúde, aumentando os casos de ansiedade e depressão. Algo semelhante já havia ocorrido durante a pandemia de covid-19, quando a avalanche de notícias ruins contribuiu para o desenvolvimento de transtornos mentais.
Especialistas em redes sociais destacam ainda que as próprias plataformas digitais são estruturadas para manter o usuário engajado, dificultando que ele consiga interromper o consumo. Entre os fatores que favorecem esse comportamento estão os estímulos constantes da tela, a quantidade “infinita” de vídeos disponíveis e o layout das interfaces, planejados para prolongar a permanência do usuário.
Além disso, a cada novo vídeo assistido, o algoritmo se ajusta, criando um ciclo vicioso que reforça o hábito. Por isso, os usuários que consomem esse tipo de conteúdo encontram grande dificuldade em cessar a prática.
Como alternativa, especialistas recomendam reduzir o tempo de uso do celular e buscar acompanhamento médico e psicológico. Outra estratégia é desinstalar os aplicativos ou desativar temporariamente os perfis nas redes sociais, o que pode contribuir para diminuir o vício e possibilitar um tratamento mais estruturado e consistente, já que os algoritmos sempre tentarão manter o usuário conectado pelo maior tempo possível.






