Por décadas, a eficiência foi tratada como o santo graal da gestão. Otimizar processos, reduzir custos, aumentar produtividade, esses eram os mantras entoados por executivos em reuniões de planejamento e conselhos de administração. De certa forma, funcionou: empresas se tornaram mais enxutas, mais rentáveis, mais previsíveis. Mas, paradoxalmente, é justamente essa previsibilidade que pode estar matando o futuro.
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Quando a eficiência se transforma em obsessão, ela se torna uma prisão. Em nome dela, ideias são podadas, experimentações são evitadas e a margem para o erro, que é o berço da inovação, desaparece. É o que chamamos de “tirania do core”: a lógica dominante que premia o curto prazo e penaliza qualquer tentativa de fazer diferente.
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Empresas eficientes demais criam um tipo de cegueira estratégica. Elas veem o que funciona hoje, mas deixam de perceber o que está por vir. E, pior: desincentivam quem tenta olhar além. Intraempreendedores são sufocados por KPIs operacionais, hubs de inovação viram vitrines, e a inovação vira uma performance, não uma competência organizacional.
O paradoxo é brutal: enquanto o mundo muda cada vez mais rápido, muitas empresas seguem operando com modelos mentais e estruturas do século passado. Elas têm excelentes mecanismos para proteger o que já existe, mas pouquíssima capacidade de criar o novo.
Eficiência & futuro
É aí que a eficiência, quando não equilibrada com ambição e coragem, deixa de ser virtude e se torna veneno. O caso das Lojas Americanas ilustra com clareza esse paradoxo. Uma empresa que durante anos foi considerada a loja na qual se encontra de tudo, que protagonizou no desenvolvimento do e-commerce brasileiro, que inovou através de novos negócios com uma fintech, uma hortifruti e lojas de decoração, em determinado momento focou demasiadamente suas estratégias num processo intenso de gestão centrada em eficiência.
Redução de custos, expansão agressiva com base em métricas financeiras rígidas e cortes sistemáticos em áreas de apoio à experiência do cliente formavam a espinha dorsal da estratégia. O resultado? Lojas desorganizadas, experiência fragmentada, pouca diferenciação e uma percepção de valor deteriorada. O futuro foi deixado em segundo plano, e agora a empresa corre para tentar recuperar o espaço perdido.
Inovar exige aceitar ineficiências temporárias. Exige permitir que ideias “incompletas” sejam testadas no mundo real. Exige, sobretudo, cultivar uma cultura onde o futuro não é um risco a ser evitado, mas uma possibilidade a ser explorada. Diego Barreto, CEO d o I-food, empresa que vende hoje R$ 8 bilhões por mês, reconhecida pela sua capacidade incrível de ser eficiente e pela sua capacidade de inovar, revela que incentiva seus colaboradores a serem empreendedores e encontrarem algo grande para resolver por meio da inovação.
Para isso, entende que a experimentação é um caminho crucial para a inovação, não esperando ter o produto pronto para testar, mas sim testar, “da maneira mais simples e porca” suas ideias para avaliar se elas possuem potencial de ser escalada. Isso permite que diversas pequenas apostas sejam feitas e, algumas delas, atinjam o potencial para serem escaladas e gerar resultados significativos para a organização.
Isso não significa abandonar a eficiência, ela segue sendo importante. Mas significa reconhecer que ela não pode ser o único critério de gestão. O que garante a sobrevivência de uma empresa não é apenas o que ela faz bem hoje, mas o que ela está disposta a aprender para fazer bem amanhã.
Eficiência & inovação
Na minha atividade profissional ajudando grandes empresas, vejo esse dilema se repetir em diferentes organizações, de diferentes segmentos da indústria. Uma das perguntas que as empresas deveriam se fazer se desejam construir um futuro diferente através da inovação talvez seja: qual ineficiência você está disposto a tolerar para criar o futuro?
Porque, no fim do dia, a verdadeira escolha não está entre eficiência ou inovação. A decisão mais inteligente não é optar por um em detrimento do outro, mas sim integrá-los de forma intencional: explorar o presente com excelência operacional enquanto se constrói o futuro com ambição e ousadia. Eficiência sem reinvenção é apenas uma forma acelerada de caminhar rumo à irrelevância.
* Dagoberto Trento é sócio diretor da Innoscience
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