Pesquisadores do Reino Unido avançaram no tratamento da esclerose múltipla (EM). Os primeiros resultados do ensaio clínico de fase dois CCMR-Two, realizado por uma equipe do Departamento de Neurociências Clínicas da Universidade de Cambridge e financiado pela Sociedade de Esclerose Múltipla (EM), mostraram que uma combinação de metformina (medicamento para diabetes) e clemastina (anti-histamínico) pode ajudar a reparar a mielina, o revestimento protetor ao redor dos nervos que é danificado na doença, causando sintomas como fadiga, dor, espasmos e problemas para caminhar. As informações são do The Guardian.
“Estou cada vez mais certo de que a remielinização é parte da solução para interromper a incapacidade progressiva na EM”, disse Nick Cunniffe, professor clínico de Neurologia em Cambridge que liderou o estudo, em comunicado.
Ele salientou que ainda é preciso pesquisar os benefícios e efeitos colaterais a longo prazo antes que pessoas com esclerose múltipla possam considerar tomar os medicamentos. “Mas meu instinto me diz que estamos à beira de uma nova classe de tratamentos para interromper a progressão da EM e, na próxima década, poderemos ver o primeiro tratamento licenciado que repara a mielina e melhora a vida das pessoas que vivem com EM.”
As drogas que existem hoje para tratar a doença atuam apenas no sistema imunológico. O que significa que não impedem o dano gradual aos nervos que leva à incapacidade.
“Precisamos desesperadamente de maneiras de proteger os nervos contra danos e reparar a mielina perdida, e esta pesquisa nos dá esperanças reais de que os medicamentos para reparo da mielina farão parte do arsenal de tratamentos para EM no futuro”, observou Emma Gray, diretora de Pesquisa da Sociedade de EM. “Esses resultados são realmente empolgantes e podem representar um ponto de virada na forma como a EM é tratada.”
Ensaio clínico
O ensaio clínico de fase dois CCMR-Two contou com a participação de 70 pessoas com EM recorrente. Durante seis meses, metade tomou a combinação de metformina e clemastina e a outra metade tomou um placebo.
Para avaliar a eficácia dos medicamentos, foi usado um teste de “potencial evocado visual”, que mede a rapidez com que os sinais viajam entre os olhos e o cérebro. No grupo que tomou metformina e clemastina, a velocidade desses sinais permaneceu constante, enquanto que no grupo placebo, ela diminuiu.
Mas embora o teste tenha sido positivo, os cientistas apontam que as pessoas não se sentiram melhor com os medicamentos – o benefício do reparo da mielina é isolar e proteger os nervos danificados, impedindo que se degenerem ao longo dos anos. Segundo eles, as drogas que promovem a remielinização terão um efeito na incapacidade a longo prazo, o que será objeto de pesquisas futuras.






