Durante décadas, a ideia de minerar asteroides foi tratada como a próxima grande fronteira da exploração espacial. Mas talvez não seja preciso ir tão longe, já que um novo estudo indica que parte dos minerais cósmicos tão cobiçados está guardado em crateras da Lua.
O trabalho, realizado por pesquisadores independentes e do Centro de Astrofísica – Harvard & Smithsonian e da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle, ambos dos Estados Unidos, mostra que até 6.500 crateras podem conter metais preciosos do grupo da platina, como platina, paládio e ródio. A platina é usada como catalisador na indústria automotiva e química , na produção de equipamentos médicos e em instrumentos de laboratório, entre outros.
Além disso, cerca de 3.400 podem conter água na forma de minerais hidratados – uma molécula crucial para qualquer exploração humana.
“Esses valores são de uma a duas vezes maiores do que o número de asteroides próximos à Terra contendo minério, segundo estimado por Elvis (2014)””, escreveu a equipe em artigo publicado na revista Planetary and Space Science, se referindo a Martin Elvis, pesquisador do Centro de Astrofísica – Harvard-Smithsonian que publicou em 2014 um estudo sobre o potencial de mineração de asteroides. “O que implica que pode ser mais vantajoso, e portanto mais lucrativo, minerar asteroides que impactaram a Lua do que aqueles que estão em órbita.”
Um caminho mais acessível
Astrofísicos acreditam que muitos asteroides são ricos em metais preciosos , especialmente os do grupo da platina, que possuem propriedades que os tornam altamente valorizados para aplicações industriais e médicas, destaca reportagem do Science Alert.
O problema é que a mineração desses corpos cósmicos enfrenta enormes obstáculos. O primeiro é que os que ficam próximos da Terra são raros. Eles também são difíceis de alcançar e estão em constante movimento. Já a Lua, apesar dos seus próprios desafios, orbita o nosso Planeta a uma distância previsível.
Ainda assim, a tarefa não seria simples. Embora grandes crateras lunares concentrem mais chances de guardar minerais, parte do material pode estar dispersa no regolito, exigindo tecnologias avançadas para extração. Em relação à água, mesmo que milhares de crateras tenham indícios de minerais hidratados, apenas algumas dezenas apresentam depósitos concentrados, de acordo com o estudo.
O próximo passo, aponta o Science Alert, é descobrir exatamente quais crateras escondem os minerais e como minerá-las. Os pesquisadores sugerem que o sensoriamento remoto da órbita lunar, em vez de módulos de pouso caros e sem garantia de sucesso, é a melhor opção para identificar os alvos.






