O Spotify anunciou nesta quarta-feira (24) novas medidas para enfrentar casos nocivos de IA, proteger artistas e se alinhar ao setor em transparência sobre o uso de inteligência artificial.
O anúncio vem semanas após artistas latino-americanos afirmarem que as músicas geradas por IA estão inundando streamings como o Spotify, Deezer e YouTube Music, roubando o destaque que deveria ser dado a músicos humanos.
“Visualizamos um futuro em que artistas e produtores estejam no controle de como — ou se — vão incorporar IA em seus processos criativos. Como sempre, deixamos essas decisões aos próprios criadores, ao mesmo tempo em que trabalhamos para protegê-los contra spam, imitação e fraude, e para dar aos ouvintes mais transparência sobre a música que escutam”, afirmou o Spotify em nota.
Segundo a plataforma de streaming de música, nos últimos 12 meses, período marcado pela explosão das ferramentas de IA generativa, foram removidas mais de 75 milhões de faixas de spam do Spotify.
Confira as principais atualizações do Spotify em sua política do uso de IA:
Filtro de spam musical
Segundo a empresa, táticas de spam – como envios em massa, duplicações, truques de SEO, abuso de faixas artificialmente curtas e outros tipos de conteúdo de baixa qualidade – ficaram mais fáceis de explorar conforme as ferramentas de IA permitem a qualquer um gerar grandes volumes de músicas.
Por isso, o Spotify vai lançar gradualmente nos próximos meses um novo filtro de spam musical: um sistema que vai identificar atores que sobem conteúdo e faixas envolvidos nessas práticas, rotulá-los e parar de recomendá-los.
Regras mais rígidas contra imitação
Também vem aí uma nova política de imitação que esclarece como a empresa lida com denúncias sobre clonagem de voz de IA (e outras formas de imitação vocal não autorizada), dando aos artistas proteções mais fortes e um processo mais claro de recurso. Neste caso, a imitação vocal só será permitida no Spotify quando o artista imitado tiver autorizado o uso.
Além disso, o Spotify está aumentando os investimentos para combater outra forma de fraude: quando alguém envia músicas (geradas por IA ou não) para o perfil de outro artista de forma fraudulenta em serviços de streaming. Novas medidas de prevenção estão sendo testadas com os principais distribuidores de artistas, para que eles consigam bloquear esses ataques na origem.
Ademais, a empresa diz que também vai investir mais recursos no processo de análise de “conteúdo fora do lugar”, reduzindo o tempo de espera para revisão e permitindo que artistas denunciem o problema já no estado de pré-lançamento.
Divulgação de uso de IA em créditos musicais
Para artistas que usam IA de forma responsável, não há hoje uma maneira clara nas plataformas de streaming de indicar se – e como – a tecnologia foi utilizada. Nesse sentido, o Spotify está ajudando a desenvolver e vai apoiar o novo padrão da indústria para divulgação de uso de IA nos créditos musicais, criado pela Digital Data Exchange (DDEX).
À medida que essas informações forem submetidas por gravadoras, distribuidores e parceiros, passarão a ser exibidas no aplicativo do streaming. Segundo a empresa, esse padrão permite que artistas e detentores de direitos indiquem claramente onde e como a IA participou na criação de uma faixa – seja em vocais, instrumentação ou pós-produção.






