“Não vamos conseguir.”
Guardo até hoje essa frase de Hans-Rudolf Zulliger, dita no Sustainability Forum Zurich em 2006. Engenheiro de formação e apaixonado por sustentabilidade, ele foi um dos primeiros na Suíça a instalar placas solares em casa.
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Como executivo, colocou os mesmos valores em prática: liderou o management-buyout da Gretag S.A., levou a empresa à bolsa e, com seu patrimônio, criou a Fundação Terceiro Milênio (Stiftung Drittes Millenium). De lá, apoiou uma cátedra de tecnologia e sustentabilidade na ETH Zurique e também a ONG oikos, em St. Gallen, que tive o privilégio de liderar durante meu doutorado.
E, mesmo assim, um homem que dedicou sua vida a negócios sustentáveis respondia à pergunta sobre se conseguiríamos construir um futuro mais verde com um seco: “Não vamos conseguir.”
Essa lembrança voltou à tona nesta semana, quando participei do IV Painel de Sustentabilidade da SWISSCAM, realizado na residência do Cônsul-Geral Peter Hafner, em São Paulo, com a presença do novo embaixador suíço Hanspeter Mock. No encontro, dialogamos com representantes de empresas como Nestlé, UBS e Zurich Seguros sobre práticas e tendências de ESG.
Uma parte de mim saiu preocupada. Quase 20 anos após aquele fórum em Zurique, percebo que ainda discutimos iniciativas isoladas, sem muita sinergia, cada organização defendendo seu portfólio próprio de projetos.
Some-se a isso a crescente complexidade geopolítica, e é inevitável pensar que a agenda de ESG tende a se tornar cada vez mais instrumental ao negócio — e não menos. Nesse ponto, concordo com Zulliger.
Mas também saí esperançoso. O embaixador Mock apresentou a estratégia suíça para a COP30, chamada “Road to Belém”. A proposta busca promover soluções sustentáveis e inovadoras, fortalecendo a cooperação entre Brasil e Suíça, especialmente em bioeconomia, energia e resiliência climática.
Se os problemas são sistêmicos, as soluções também precisam estar à altura. Sem coordenação e colaboração, não haverá futuro sustentável. Saber que a Suíça aposta nesse caminho mostra que, talvez, Zulliger não tivesse toda a razão.






