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Fazenda reduz previsão de crescimento do PIB em 2025 de 2,5% para 2,3%

Redação by Redação
setembro 12, 2025
in Insurance
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BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os sinais de desaceleração da economia a partir do segundo trimestre deste ano levaram o Ministério da Fazenda a reduzir sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025, de 2,5% para 2,3%.

As estimativas para a inflação no ano também foram revistas para baixo, mas em menor magnitude. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial do país, deve ter alta de 4,8%, ainda acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3% ao ano, com tolerância até 4,5%. Antes, a previsão do governo era uma variação de 4,9%.

Os novos números constam no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta quinta-feira (11) pela SPE (Secretaria de Política Econômica), vinculada à Fazenda.

“O ritmo de expansão das concessões de crédito tem se reduzido, junto com o aumento nas taxas de juros bancárias e na inadimplência. Embora a taxa de desemprego siga no menor patamar da série histórica, já se percebe uma tendência de desaceleração na expansão da massa de rendimentos real”, avalia a SPE.

Segundo o órgão, a perda de ritmo decorre da ação do Banco Central na tentativa de reduzir a inflação. Em setembro de 2024, o Copom (Comitê de Política Monetária) deu início a um novo ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, que até então estava em 10,50% ao ano. Após sucessivos aumentos, a Selic chegou a 15% ao ano em junho e tem sido mantida neste patamar -o maior desde 2006.

“Para o próximo trimestre, a perspectiva é que a desaceleração da atividade continue”, disse a secretaria no boletim. Segundo o órgão, dados de julho já indicaram recuo na produção da indústria da transformação e nas vendas do varejo restrito, que não inclui automóveis nem materiais de construção.

Nos próximos meses, as tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras podem contribuir para reforçar a tendência de desaquecimento da atividade, uma vez que afetam o desempenho da indústria, dos investimentos e do setor externo.

Guilherme Mello, secretário de Políticas Econômicas, afirmou durante a apresentação do boletim que, por causa das altas de tarifas, o índice de incertezas chegou a um nível muito elevado, mesmo que tenham sido firmados acordos.

A situação, segundo ele, é semelhante ao fim dos anos 1920, quando houve um desarranjo global com a crise do padrão ouro.

O secretário disse que espera-se que o Federal Reserve (órgão equivalente ao Banco Central dos EUA) corte os juros americanos, o que contribuiria para o enfraquecimento do dólar (portanto, valorização do real).

Ele resumiu a expectativa da seguinte forma: “Dólar mais fraco, outras moedas mais fortes e expectativa de queda de taxa de juros maior, o que impacta decisões sobre juros em outros países, em particular na América Latina”.

A SPE dedicou uma seção inteira do boletim à análise dos efeitos do tarifaço. As estimativas foram feitas considerando 22 setores da economia, com o objetivo de capturar encadeamentos entre produção, comércio, emprego e preços em economias abertas.

Os resultados indicam que as tarifas devem levar a uma queda de 0,2 ponto percentual no PIB entre agosto de 2025 e dezembro de 2026.

“Esse impacto está associado à retração da demanda externa e seus efeitos, principalmente, sobre o investimento. As exportações líquidas se reduzem em 0,1 pp como proporção do PIB, com a queda nas vendas aos EUA sendo apenas parcialmente compensada pelo redirecionamento a outros destinos. Além disso, a taxa de desemprego sobe 0,1 pp no acumulado do período, reforçando o efeito contracionista do choque”, disse a SPE.

Rafael de Azevedo Ramires, um dos coordenadores do boletim, afirmou durante a apresentação do boletim que foi usado um modelo em conjunto com a agência francesa de desenvolvimento para tentar calcular os impactos do aumento de tarifas.

A lógica é tentar estimar como serão as mudanças nas demandas pelos bens e serviços brasileiros e, daí, calcular a alteração das variáveis macro, como produto, emprego e inflação.

“O desemprego se eleva em 0,1% o que representa 138 mil postos de trabalho a menos, que estão mais concentrados na indústria”, afirmou ele durante a apresentação.

A secretaria estima uma perda de cerca de 138 mil postos de trabalho no período analisado, concentrada na indústria (71,5 mil), nos serviços (51,8 mil) e na agropecuária (14,7 mil).

Os impactos do tarifaço ficam menores quando as estimativas consideram as medidas de mitigação anunciadas pelo governo, batizadas de Plano Brasil Soberano. O pacote inclui linhas de crédito subsidiado, benefícios tributários a empresas exportadoras e adiamento no prazo para pagar impostos.

Segundo a SPE, com as iniciativas do plano, a queda do PIB fica em 0,1 ponto percentual entre agosto de 2025 e dezembro de 2026. Já a perda de postos de trabalho cai a 65 mil.

“O estudo reforça a importância de políticas de diversificação de mercados e mecanismos para apoiar o setor produtivo como instrumentos para reduzir a vulnerabilidade da economia brasileira a choques externos”, disse Ramires.

Com a revisão anunciada nesta quinta, o desempenho esperado para o PIB em 2025 retoma o patamar projetado no início do ano, quando a estimativa do governo também era um crescimento de 2,3%. A projeção mais recente, divulgada em julho, indicava uma expansão maior da atividade econômica.

Ainda assim, os números mostram que o governo segue sendo mais otimista do que a média do mercado financeiro, que vê um crescimento de 2,16% neste ano, segundo o Boletim Focus, do BC. Essa variação que tem sido revista para baixo nas últimas semanas.

Para 2026, a projeção da SPE para o crescimento se manteve nos mesmos 2,4% já indicados na revisão anterior. Já o IPCA deve ficar em 3,6%.

Os parâmetros macroeconômicos divulgados pela Fazenda são importantes não só como termômetro da economia, mas também porque servem de referência para o governo nas estimativas do Orçamento.

Variáveis como inflação e crescimento interferem diretamente no quanto a União arrecada em tributos e quanto ela gasta com benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas.

O maior crescimento do PIB, por exemplo, significa maior faturamento das empresas e, consequentemente, mais recolhimento de impostos e contribuições.

Por outro lado, também pressiona as despesas, já que o desempenho de 2025 se traduzirá em ganho real de mesma magnitude no salário mínimo daqui dois anos.

O mesmo ocorre no caso da inflação. A alta de preços faz com que a Receita Federal arrecade um valor maior de tributos, em termos nominais, mas as despesas corrigidas pelos índices de preços (como aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais) também sobem mais.

Fazenda reduz previsão de crescimento do PIB em 2025 de 2,5% para 2,3%

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