A lista das pessoas mais ricas do planeta é composta, em geral, pelos maiores acionistas de grandes empresas ao redor do mundo. Então, por que o Jensen Huang, cofundador e CEO da Nvidia, empresa mais valiosa do mundo, aparece apenas em 10º lugar?
Vamos entender: a fortuna de Huang é, atualmente, de US$ 147 bilhões (R$ 798,2 bilhões), segundo o Bloomberg Billionaires Index. Isso o coloca logo atrás de Warren Buffett, que tem US$ 148 bilhões (R$ 803,7 bilhões), mesmo com a Berkshire Hathaway valendo cerca de um quarto do valor da Nvidia — e considerando que Buffett já doou mais da metade de suas ações para fundações desde 2006.
Bernard Arnault ocupa a oitava posição com uma fortuna de US$ 164 bilhões (R$ 890,5 bilhões), apesar de a LVMH valer menos de US$ 300 bilhões (R$ 1,63 trilhão). Já Elon Musk, o homem mais rico do mundo, tem um patrimônio estimado em US$ 383 bilhões (R$ 2,08 trilhões) com as duas empresas que representam a maior parte de sua fortuna –Tesla e SpaceX– valendo cerca de US$ 1,6 trilhão (R$ 8,69 trilhões) — menos de 40% do valor de mercado da Nvidia.
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Então qual a explicação? Segundo o Business Insider, há um motivo pelo qual Huang, que cofundou a Nvidia em 1993 e é seu CEO desde então, não é mais rico: diluição.
Antes do IPO da Nvidia, em 1999, Huang possuía 12,8% da empresa. Essa fatia valeria hoje mais de US$ 500 bilhões (R$ 2,71 trilhões).
Embora seja comum que fundadores vendam ações e vejam sua participação diluir após a abertura de capital, no caso de Huang a queda foi bem mais acentuada e prolongada. Sua participação caiu para 9,9% em 1999, 7,1% em 2003, 4,4% em 2010, e desde 2020 se estabilizou entre 3,5% e 4%, segundo documentos regulatórios.
Para efeito de comparação, Buffett possui cerca de 14% da Berkshire, Arnault detém aproximadamente 50% da LVMH, e Musk tem algo em torno de 13% da Tesla e 42% da SpaceX.
A participação de Huang encolheu mais de dois terços principalmente porque a Nvidia emitiu uma quantidade massiva de ações para remunerar seus funcionários. Muitas empresas, especialmente de tecnologia, oferecem ações ou opções de ações como forma de incentivar os funcionários a aumentar o valor da companhia e do papel, além de evitar que migrem para concorrentes. É uma estratégia de atração e retenção de talentos sem desembolso de caixa.
Em julho, a empresa reportou US$ 14 bilhões (R$ 76 bilhões) em compensações baseadas em ações ainda não realizadas, a serem reconhecidas em cerca de dois anos. A Nvidia compensou parte dessa diluição com recompras de ações, mas o número de papéis em circulação disparou: de 1,7 bilhão (ajustado por desdobramentos) no IPO para mais de 23 bilhões atualmente.
A fatia de Huang também diminuiu porque ele vendeu ações, incluindo um plano pré-acordado para negociar até 6 milhões de ações em 2025, equivalentes a cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,43 bilhões) ao preço atual da Nvidia.






