Robert Poe, de 56 anos, é um ex-diretor de e-commerce. Depois de mais de duas décadas em cargos de alto nível, ele acreditava que jamais teria de se preocupar em encontrar emprego. Mas a falência do seu último empregador, há cerca de 18 meses, mudou tudo. Desde então, ele enviou mais de mil currículos – sem sucesso -, enfrentou dificuldades crescentes e precisou se reinventar.
Em entrevista para o Business Insider, Poe contou que começou a carreira na IBM, em marketing digital. Seu último trabalho foi como diretor de e-commerce na Badcock Home Furniture, com um salário-base de US$ 120 mil (aproximadamente R$ 648,5 mil) anuais.
Meu irmão costumava me dizer: ‘Você sempre vai ter um emprego’. Passei por demissões e trabalhei em empresas que fecharam, mas nunca precisei procurar emprego na minha função”, garantiu.
Hoje, a situação é diferente. E, sem conseguir um trabalho, ex-diretor de e-commerce teve de trocar a casa própria onde vivia com a família por um apartamento alugado, vender o carro e declarar falência. “Vivemos parcialmente da Previdência Social dos nossos filhos e do emprego da minha esposa. Nossa filha, que mora conosco, ajuda a pagar o aluguel”, relatou.
“Eu praticamente desisti de procurar cargos de diretor de e-commerce. Acho que estou velho demais. Ouço muita gente dizendo: ‘Vá abrir seu próprio negócio’ e ‘Esta é a hora de se reinventar’. Então, aos 56, é isso que estou tentando fazer.”
Nessa nova fase da vida, Poe tirou licença de corretor de imóveis e tentou isso por um tempo, mas não gostou do resultado. Em seguida, experimentou a rotina desgastante de entregador da Amazon, porém, o que recebia não era suficiente.
Então, sem perspectivas estáveis, decidiu dar uma chance ao empreendedorismo. Junto com um antigo colega, fundou a JBP Media Group, uma startup de marketing digital que já conquistou alguns clientes, mas ainda não gera receita suficiente.
“Levará mais seis meses até que qualquer renda entre, e já tirei dinheiro do meu bolso só para dar início ao projeto”, contou ao Business Insider. “Quando os clientes pagam US$ 200 (R$ 1.80) por mês, você precisa de muitos desses pequenos clientes.”
Paralelamente, Poe lançou um livro sobre os custos enfrentados por famílias com filhos com necessidades especiais – experiência pessoal, já que é pai de gêmeos de 20 anos nessa condição.
“Publicar o livro é algo que mantém a mente ativa. Abrir uma empresa também me manteve ocupado. Mesmo trabalhando com tecnologia de graça, isso mantém minhas habilidades afiadas”, observou. “Continuo tentando de tudo, além de entrevistas, achando que alguma coisa vai dar certo. Enquanto isso, preciso seguir em frente.”
Ele acrescentou que envia de dois a cinco currículos por dia. Apesar do esforço, a reinserção no mercado formal parece cada vez mais distante. Entrevistas canceladas, processos seletivos interrompidos e recrutadores que não dão retorno fazem parte da nova rotina.
“Todo mundo está dizendo: ‘O LinkedIn não é mais o lugar para se estar’ ou ‘Você precisa fazer um currículo diferente’. É incrivelmente confuso. É como se tivessem ligado um interruptor da noite para o dia. O sistema está quebrado”, salientou.
E Poe completou: “Agora, me sinto um fracasso. Mas a minha mensagem para os outros é que algo vai dar certo, mesmo que você tenha que sair de um emprego de seis dígitos para ganhar US$ 50 mil (R$ 270,2 mil) por ano. No meu caso, agora, quero trabalhar para as Olimpíadas Especiais, onde sou voluntário e treinador de stand-up paddle. Mesmo que o salário seja reduzido, posso recomeçar e daremos um jeito”.






