Hoje, a palavra impacto está em toda parte. Na COP30, o mundo discute o impacto das empresas sobre o meio ambiente — e o que deve ser feito a respeito. Qual é o impacto das novas tarifas do governo americano na economia brasileira? Diante disso, não é surpreendente que também as escolas de negócios — das quais eu faço parte — estejam sendo chamadas a refletir sobre seu próprio impacto.
Essa pergunta nos leva ao cerne da questão: qual é o propósito de uma escola de negócios? Ela faz diferença? E se sim, qual é essa diferença? E para você — qual deveria ser esse impacto?
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Alguns responderão com a pesquisa. Quais temas merecem ser estudados? Vale fomentar estudos sobre economia circular, diversidade e inclusão, ou a relação entre empresas e mudanças climáticas? Outros apontarão para as práticas institucionais: A escola recicla? Reduz o consumo de água? Oferece vagas para carros elétricos? Tudo isso importa.
Mas acredito que o maior impacto está em algo mais sutil — e poderoso: o “brainprint” que a escola deixa nos seus alunos. O modelo mental com o qual eles passam a operar no mundo dos negócios.
A chave está no brainprint — a impressão cerebral
Há 24 anos, Sumatra Ghoshal — educador indiano de destaque na London Business School — publicou um artigo provocador no Financial Times: “Business Schools share the blame for Enron” (As escolas de negócios compartilham a culpa pelo caso Enron).
Sua crítica era clara: as teorias ensinadas estavam excessivamente centradas na maximização de valor para os acionistas, ignorando os demais stakeholders como colaboradores, fornecedores e comunidades.
Segundo ele, essa visão reducionista do papel das empresas alimentava escândalos e crises — como tantas que continuamos a testemunhar, agora muito bem analisadas por Guido Palazzo no livro “The Dark Pattern”.
De fato, ainda há escolas que tratam ética e sustentabilidade como temas “extras” — discutidos apenas depois de finanças, operações e governança terem dado seu recado sobre eficiência e lucro máximo.
Desde meu doutorado na Suíça, estou convencido de que o maior impacto das escolas de negócios está nas pessoas que elas formam. Nesse sentido, a Fundação Dom Cabral representa uma poderosa plataforma de transformação: são quase 30 mil executivos impactados por ano.
Essa reflexão sobre impacto ganhou ainda mais força com a chegada de acreditadoras internacionais como a AAMBA e a EQUIS, que avaliam as escolas com base em impacto e propósito. Para obter a certificação, é necessário mostrar evidências: como os cursos são planejados, como os professores se preparam, quais os indicadores de qualidade. Os avaliadores conversam com alunos e ex-alunos para entender os efeitos reais da formação.
Tudo isso é valioso. Mas, no fim, o que realmente importa é o comportamento dos líderes que formamos. Por isso, uma educação que coloca os valores no centro — que discute o papel da empresa diante de múltiplos stakeholders — é fundamental.
A escola não pode impedir que um líder aja com oportunismo. Mas pode — e deve — alertar sobre as consequências morais, legais e reputacionais de suas decisões. Porque, no fim das contas, é o padrão com o qual esse líder decide que define seu legado.
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