O caju é uma fruta nativa do Brasil bastante utilizada em sucos, doces, castanhas e cajuínas. Em 2023, o país produziu 128 mil toneladas de caju, somando R$ 453 milhões em produção, segundo os últimos dados disponíveis pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Norte e Nordeste são as regiões que mais produzem o fruto, sendo que o Ceará é líder na produção de castanha – responsável por 6 em 7 castanhas de caju do país.
Nos últimos anos, o caju passou a ser utilizado em um novo setor: o de cosméticos. Desde 2014, a L’Occitane au Brésil pesquisa como transformar o extrato do caju — o que sobra da carne do fruto após seu uso em sucos e doces, por exemplo — em um óleo que compõe seus produtos para pele. No final de 2016, a marca lançou a linha Caju.
Inovação de Resultado:
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Para transformar a carne do caju, até então tratada como resíduo da produção de polpas de caju, em um ativo para a área de cosmética, a L’Occitane firmou parceria com a Cooperativa Potiguar de Apicultura e Desenvolvimento Rural Sustentável (Coopapi), que atua no Rio Grande do Norte, e é responsável pela coleta da carne da fruta e definição da margem de lucro para cada elo da cadeia, entre produtores, e entidades.
Os frutos do cajueiro são colhidos maduros quando caem no chão e passam por etapas de despolpa. A polpa e a castanha são comercializadas localmente e a “carne do caju” segue para a cooperativa, que vende à L’Occitane e outras empresas.
Em 2024, a Coopapi processou 15 mil kg de caju no Rio Grande do Norte para produção de polpas. Desse total, 50 kg de resíduos foram reutilizados pela L’Occitane au Brésil para fabricação de seus cosméticos.
“A ‘carne de caju’, antes considerada resíduo sem valor, se transformou em um ativo precioso a partir de nossas pesquisas. Desenvolvemos um extrato concentrado e um esfoliante vegetal, que estão presentes em toda a linha”, afirma Farid Saad, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da empresa.
Pesquisa do óleo vegetal
Em quase três anos de pesquisa, a empresa concluiu que o caju tem um grande potencial na cosmética, não só poder nutricional e um aroma agradável. “Além de gerar benefícios sociais e ambientais, produzir o extrato vegetal adiciona colágeno e firmeza para a pele”, explicou Paula Cremonezzi, head de sustentabilidade da empresa.
Como a L’Occitane au Brésil trabalha reforçando a identidade do Brasil, a linha Caju é carro chefe da marca, responsável por 9% das vendas da empresa. A série conta com creme de mão, sabonete massageador e sérum noturno.
E para garantir a segurança dos produtos, sua criação tem base científica, garante Saad. A L’Occitane brasileira conta com uma equipe de P&D multidisciplinar formada por químicos, farmacêuticos, engenheiros, biólogos e biotecnologistas que atuam em laboratório e em campo. O número de profissionais, contudo, não foi revelado pela empresa.






